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Argumento Ele Não Usam Black Tie – O Morro não tev Vez com Elis Regina e Jair Rodrigues

Postado em Gianfrancesco Guarnieri em 20 de outubro de 2009 por sagradocacete

GIANFRANCESCO GUARNIERI

Disciplina Historia do Teatro Brasileiro Paulo F.

Historia e Bibliografia Teatral

Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de

ARGUMENTO:

Guarnieri (Milão, 6 de Agosto de 1934—São Paulo, 22 de Julho de 2006) foi um ator, diretor, dramaturgo e poeta ítalo-brasileiro.

Por conta do fascismo que tomava conta da Itália, seus pais, o maestro Eduardo Guarnieri e a harpista Elsa Martinenghi decidiram vir para o Brasil em 1936 e se estabeleceram no Rio de Janeiro

No início dos anos 50 a família de Guarnieri se mudou para São

Paulo. Líder estudantil desde a adolescência. Guarnieri começou a fazer teatro amador com Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) e um grupo de

Estudantes de São Paulo, e em 1955 criaram o Teatro Paulista do Estudante, com orientação de Ruggero Jacobbi.

No ano seguinte, o TPE uniu-se ao Teatro de Arena de São Paulo, fundado e dirigido por José Renato. Dessa fusão resultou o Teatro de Arena, que se celebra como grande marco da dramaturgia nacional comprometida com os interesses populares.

Sua peça de estréia, como dramaturgo, Eles Não Usam

Black-Tie, encenada em 1958 pelo Teatro de Arena.

A direção foi de José Renato e o elenco contou com grandes

talentos que começavam a despontar no teatro brasileiro, como

o próprio Guarnieri, Lelia Abramo, Miriam Mehler, Flavio

Migliaccio e Milton Gonçalves.

O sucesso foi imenso, a peça e o autor premiado pelo então

governador de São Paulo, Jânio Quadros, e o Arena foi salvo

da crise financeira que há tempos assolava o grupo.

Paralelamente, o diretor Roberto Santos dava o pontapé inicial

no Cinema Novo com o filme O Grande Momento, protagonizado por Guarnieri e Miriam Pérsia, um clássico do nosso cinema.

O diretor Sandro Polloni encomendou uma peça a Guarnieri

para ser encenada pela companhia de Maria Della Costa,

esposa de Sandro e de cuja companhia teatral ele era o diretor.

Guarnieri saiu do Arena por um tempo para poder realizar esse

trabalho com Maria Della Costa e em 1959 veio à luz Gimba,

Presidente dos Valentes. Era o primeiro trabalho de Guarnieri

em palco italiano e a direção ficou a cargo de Flávio Rangel.

Levava à cena de maneira pioneira a realidade dos morros

cariocas, em forma de musical, inspirando-se em parte na sua

própria experiência de vida. A encenação foi espetacular e a

peça passou os meses seguintes excursionando a Europa,

sendo apresentada no Festival das Nações, na França.

A Semente estreou em 1961 no TBC e também contou com a direção de

Rangel. A peça, de cunho abertamente político e inteiramente fora dos

padrões do TBC, abordava de forma contundente a militância comunista,

criticando tanto a direita quanto a esquerda.

Embora contasse com atores consagrados (como Leonardo Villar, Cleyde

Yáconis, Stênio Garcia e Natália Timberg, além do próprio Guarnieri, entre

outros), fosse uma montagem grandiosa e contasse com o aval da crítica, a

peça teve problemas homéricos com a censura, o que acabou esfriando o

interesse dos freqüentadores do então chamado “Templo Burguês do Teatro Paulistae a peça saiu rapidamente de cartaz.

Nesse mesmo ano, ainda no TBC, Guarnieri participou de duas montagens

de Flávio Rangel: Almas Mortas, de Gogol e a primeira montagem de A

Escada, de Jorge Andrade.

Em 1962 ele voltou para o Arena, não só como ator e autor,

mas como dono. José Renato se alternava entre vários trabalhos no Rio e em São Paulo, e o Teatro de Arena acabou se tornando uma

sociedade entre Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José, Juca de

Oliveira e o cenógrafo Flávio Império.

Várias peças nessa nova fase, como A Mandrágora, de

Maquiavel (1962) e O Melhor Juíz, o Rei, de Lope de La Vega

(1963). O Filho do Cão, de 1964, primeiro texto de Guarnieri

desde A Semente, tratava da questão do misticismo religioso e

da reforma agrária já em um turbulento contexto político

(ano do Golpe Militar). Opta então por utilizar uma linguagem metafórica e alegórica que tomaria corpo em montagens como os musicais Arena

conta Zumbi e Arena conta Tiradentes, feitos em parceria com

 

Augusto Boal.

Na década seguinte daria prosseguimento a esse estilo em

peças como Castro Alves Pede Passagem 1971 e principalmente Um Grito Parado no Ar 1973 (que encenava as dificuldades da classe artística naquele período) e Ponto de Partida 1976 (onde utilizava uma vila da Idade Média como pano de fundo para focalizar a repressão a partir da morte do jornalista Wladimir Herzog), pontos capitais do teatro brasileiro nos anos 70. Na década de 80, sua carreira como autor de teatro se tornaria cada vez mais esparsa, lançando poucos textos. Em 1988 escreveu Pegando Fogo Lá Fora; em 1995 viria A Canastra de Macário, que é o momento em que

sua saúde lhe dá o primeiro susto, com um aneurisma na aorta. Em 1998 escreve com o filho Cláudio a peça Anjo na Contramão, e sua última peça foi A Luta Secreta de Maria da Encarnação, realizada em 2001.

* Em vermelho são minha opiniões.

Tudo começa com uma noite de chuva que Tião recebe a notícia de sua namorada Maria que estava grávida. Por esse motivo, marcam noivado para 10 dias. O pai chega e sabe da novidade, além de avisar Tião que a greve da metalúrgica era quase certa. Romana, sua esposa acorda e briga com todos, pois terá que se levantar cedo para trabalhar. * Ai começa a ficar bem entendido, onde estão, que classe social eles pertencem, quais são as possíveis características das personagens. Começa a ser revelada aos poucos a falta de dinheiro que tem tempos de ditadura militar era muito comum no pais. As lutas diárias para entender e compreender o lugar, o valor das coisas, como conviver e estar de acordo à luta do dia a dia. Dias depois começa o preparativo da festa. Pouca bebida e pouca comida. Chiquinho usa o dinheiro do champanhe para comprar figurinhas e recebe uns supapos do pai e da mãe, apesar de Terezinha defendê-lo Otávio tenta arrumar a vitrola para a festa e consegue. Otávio e Romana lembra-se da falecida Jandira.  * Com algumas falas vão dando a entender o processo de formação dessa família e sua situação e histórica. Otávio começa a se revelar a sua ampla formação.

Maria chega para ajudar Romana, enquanto que os outros colocam bandeirinhas no teto do terreiro. Tião chega com cartão de cineasta Antônio De Rocca, Tião e Otávio discutem sobre a greve. Tião tem medo da greve, pois vai se casar. Otávio fica preocupado com o filho – não se costuma com o morro onde eles moram. Seu João vem representar a mãe que está acamada, para autorizar o noivado.

Os demais convidados chegam e a vizinha vai dar luz aos gêmeos. Surge a história do cinema, pois Jesuíno Tb,tem cartão convite.

  • Ai começa a se revelar a idéia do medo na personagem principal e as diferenças de pensamento e de futuro, as convicções não são as mesmas do restante da família, diferentemente do irmão mais novo de Tião, Chiquinho. Que quer ser operário, como ele mesmo diz em uma passagem do texto quando eu entrar para fabrica posso me casar com Terezinha. Além da falta de maturidade frente a sua nova realidade, Tião encontra no relacionamento com Maria uma válvula de escape para sair da pressão que sente na fabrica e com a relação que te com pai e ter argumentos por não gostar e contrariar por não conseguir se identificar com as idéias e propostas da vida e das pessoas dali.  Por ter ambições, sonhos e desejos pra sua vida muito diferente da realidade onde vive. A justificativa que usa, e que tem medo de perder o emprego, não entendeu nada do que estava acontecendo ao seu redor.

 

 

Pedido de noivado e todos sai para dançar. Jesuíno e Tião discutem sobre a mentira de terem sido os doais convidado pelo mesmo cineasta para fazer um filme e sobre andamento da greve. Eles querem boa posição  não irão aderir à greve e Jesuíno fica encima do muro.

* Aqui a uma clara situação do peleguismos por parte de Jesuíno tentando botar minhoca na cabeça e amedrontar mais ainda Tião a furar a greve. Jesuíno ficando sem posição sobre a greve, encima do muro que fica neutro tem a posição do patrão.

Bráulio traz notícias da assembléia – haverá a greve. No dia seguinte, piquete. Romana chama a atenção do filho por ter brigado com o pai  chamou-o de ingrato. E conversam sobre a festa de noivado e a bebedeira.  Tião diz que está preocupado com o casório daqui a um mês. Romana diz para não se preocupar. Ele quer morar fora do morro. * Tião ai começa entrar em uma situação de só se projetar fora da li e as viagens, o que mostra não estar nada conectada, com a sua realidade, situação vivida na fabrica e lutas que ali são aonde trabalha.

Chiquinho e Terezinha conversam. Romana chama a atenção de Chiquinho porque anda sem dinheiro e deixou roubar mantimento do armazém (D. Amélia e a turma do Tuca) * Aqui me prece um pouco a exploração do trabalho infantil sutilmente na personagem do Chiquinho filho mais novo e também alguma coisa de preconceito, também no jogo do seu Antônio do dono do boteco onde ele explora Chiquinho com humilhação, descontar do salário garoto os roubos que ocorrem ali no estabelecimento. E por ter um pensamento também, de direita e a favor do regime.

Chiquinho Otávio briga com o Antônio do boteco que diz que todo o grevista e vagabundo.

Jesuíno e Tião conversam sobre como vão fazer para ganhar com a guerra. A polícia prende os cabeças da greve: Tito, Onofre e Mafra.  Pela manhã Romana faz café e Tião sai mais cedo para a Fábrica – fugir do piquete. Não espera o pai.

Aqui já Guarnieri quer abordar e mostram posição de alta repressão o que viriam à só piorar, por ai, assassinatos, prisões, sumiço de trabalhadores, torturas.

Otávio levanta procurando as cuecas e conversa com Romana sobre Tião que está estranho.

Vai para o piquete na fábrica. Romana lê cartas e fica preocupada. Chiquinho levanta para ir trabalhar, somente ele come pão.

Terezinha traz para ele leite. Terezinha conversa com Romana sobre a tia que cobra mais caro para lavar as roupas. Maria espera Romana no quintal e conta que está grávida e está preocupada com Tião sobre a greve. Tião fura a greve e Bráulio vem tirar satisfação. Romana descobre a traição.

Tião diz que não podia arriscar o emprego pq vai se casar.  Romana soube por Terezinha que Otávio está preso no DOPS. Tião e João conversam sobre o episódio.  João chama a atenção de Tião dizendo que seu pai iria expulsá-lo de casa. Tião está preparado para o lugar um quarto na cidade e depois vem pegar Maria. Maria aparece preocupada e vem avisar que Otávio está subindo o morro. Todos chegam, Tião está no quarto e falam sobre a prisão. Otávio está confiante na greve e vê Tião na porta.  

Por medo e por não ter indetidade com as luta dali, Tião roupe a greve e perde tudo que amava mulher e filho, o lugar aonde vivia e sua moral.  Por priorizar um desejo individual ou “Sonho” que poderia ser coletivo, mas como era só dele não foi compartilhado.

Tião quer conversar com Otávio.  Todos saem e eles conversam.  A conversa é feita em terceira pessoa, pois Otávio se passa por um amigo dele mesmo. A tensão aumenta e Otávio diz que Tião teve coragem, pois não escondeu a sua traição, como fez Jesuíno. Otávio se despede e pede para ele se retirar da casa dele. Porém manda conversar com Romana. Mãe e filho se despedem.  Maria conversa com Tião e diz que não vai sair do morro, o lugar dela é ali. Tião vai embora. Otávio e Romana conversam que um dia Tião voltará para casa quando o filho ver melhor a vida. Chiquinho e Terezinha conversam sobre Juvêncio que fez uma música “Eles não usam Black-tie” e outro roubo e ficou com toda a fama.  

Minha opinião: Guarnieri pela primeira vez vai colocar em cena uma problemática nacional, tema greve dos metalúrgicos e espaço o MORRO e as personagens indivíduos comuns da massa brasileiratrabalhadora.

O interessante e onde se passa a encenação quase que todo o tempo, dentro de um espaço que vai significar para a cultura brasileira um marco, aonde tudo vai acontecer, vai surgir, brotar para o asfalto, nomes de grandes artistas, idéias, propostas estéticos estilos e moda e para Guarnieri também vontade e pensamentos revolucionário.

Está população sempre vista à margem, como lugar de solidão, morte e dor. Divulgada por batido canais comunicação e da cultura oficial burguesa.

O MORRO. O morro não tem vez, “Morro não tem vez e o que ele fez foi de mais, mais olhe bem vocês quando derem vez ao morro toda cidade vai cantar…”

Tom Jobim O Morro não tem Vez.  E nesse lugar que Guarnieri vai desabrochar a suas personagens, os seus conflitos humanos e sociais do dia a dia até temas universais que e a luta de classe e emancipação do trabalhador x patrão e dali que sai a força dramática para a construção da peça, as idéias de mudanças. Que até hoje esta em disputa, a classe trabalhadora. Desvelando personagens muito peculiares: A mulher dona de casa, personagem de Romana com uma profundidade de saber. Mesmo não estudando o ABC do Marxismo, me perece. Que ela tem outra proposta de pensamento revolucionário, me parece, a personagem da Romana. Também constrói idéias de mudança com uma visão no campo dos libertários onde a luta começa com a identidade a onde se está inserido no caso de romana no MORRO e aonde a personagem vai travar as suas lutas. A sua função dentro do coletivo mostra bem o seu papel transformador pela convivência com Otávio, um militante com uma vasta experiência e formação. Assim Otávio se coloca dentro do grupo familiar, Romana assumi a condição de matriarcal, aquela que gera e cuida. Como ela mesma diz “As Mães tem que morrer depois de todos os filhos”.

 Guarnieri vai mostrando apartir dos personagens as disputas as contradições, as convicções, as confusões de se gerir a vida do trabalhador assalariado no Brasil. Tião criado por padrinhos volta ao morro, ai se a pega as idéia nele plantada de uma vida diferente que da sua própria realidade, o medo consome se brio de viver, de mudar, mesmo isso sendo um dos seus motivadores seja a mudança.

 

 

 

 

Análise:

Eles não usam black-tie situa-se numa favela,  Nos Anos 50

e tem como tema a greve. Peça tem como pano de fundo um debate sobre as grandes verdades eternas, reflexões universais sobre a

Frágil condição humana, sobre os homens e seus Conflitos. É a história de um choque entre pai e filho com posições ideológicas e morais completamente opostas e divergentes, o que, por sinal, dá a tônica dramática do texto.  Os personagens possuem aprofundamento psicológico, somente os mais importantes referentes à sua história de vida.

Eles não usam black-tie

Época: 1958

Período: Modernismo Brasileiro – 3ª fase

Tema: A greve da metalúrgica

Divisão: 3 atos

Gênero: Dramático

Protagonista: Tião (Sebastião)

Personagens:

Tião – Filho de Otávio. Fura a greve (criado pelos padrinhos)

Maria – Noiva de Tião (grávida)

Romana – Mãe, sofredora, lavadeira

Otávio – Pai, agitador de greve – piqueteiro

Chiquinho – Irmão, aprontador, vive dormindo e de namoro

com Terezinha.

Terezinha – Namorada de Chiquinho

João – Irmão de Maria

Bráulio – Amigo de Otávio e braço direito da greve

Jesuíno – Parente de Otávio – Fica dos dois lados na greve

Eulália (vizinha), Dalva (namorico de Jesuíno),

Juvêncio (Músico)

Post. André de Jesus

Uma cena interessante do Filme Eles não usam Black Tie, Fotos e uma Biografia de Gianfrancesco Guarnier

Postado em Gianfrancesco Guarnieri, História do Brasil em 15 de outubro de 2009 por sagradocacete

Eles não usam black tieEles não usam Black tie2Eles não usam bleck tie3

Disciplina Historia do Teatro Brasileiro Paulo F.

Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de

Guarnieri. Milão, 6 de Agosto de 1934—São Paulo, 22 de Julho de 2006.

foi um ator, diretor, dramaturgo e poeta ítalo-brasileiro.

Por conta do fascismo que tomava conta da Itália, seus pais, o maestro Eduardo Guarnieri e a harpista Elsa Martinenghi decidiram vir para o Brasil em 1936 e se estabeleceram no Rio de Janeiro

No início dos anos 50 a família de Guarnieri se mudou para São

Paulo. Líder estudantil desde a adolescência. Guarnieri começou a fazer teatro amador com Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) e um grupo de

Estudantes de São Paulo, e em 1955 criaram o Teatro Paulista do Estudante, com orientação de Ruggero Jacobbi.

No ano seguinte, o TPE uniu-se ao Teatro de Arena de São Paulo, fundado e dirigido por José Renato. Dessa fusão resultou o Teatro de Arena, que se celebra como grande marco da dramaturgia nacional comprometida com os interesses populares.

Sua peça de estréia, como dramaturgo, Eles Não Usam

Black-Tie, encenada em 1958 pelo Teatro de Arena.

A direção foi de José Renato e o elenco contou com grandes

talentos que começavam a despontar no teatro brasileiro, como

o próprio Guarnieri, Lelia Abramo, Miriam Mehler, Flavio

Migliaccio e Milton Gonçalves.

O sucesso foi imenso, a peça e o autor premiado pelo então

governador de São Paulo, Jânio Quadros, e o Arena foi salvo

da crise financeira que há tempos assolava o grupo.

Paralelamente, o diretor Roberto Santos dava o pontapé inicial

no Cinema Novo com o filme O Grande Momento, protagonizado por Guarnieri e Miriam Pérsia, um clássico do nosso cinema.

O diretor Sandro Polloni encomendou uma peça a Guarnieri

para ser encenada pela companhia de Maria Della Costa,

esposa de Sandro e de cuja companhia teatral ele era o diretor.

Guarnieri saiu do Arena por um tempo para poder realizar esse

trabalho com Maria Della Costa e em 1959 veio à luz Gimba,

Presidente dos Valentes. Era o primeiro trabalho de Guarnieri

em palco italiano e a direção ficou a cargo de Flávio Rangel.

Levava à cena de maneira pioneira a realidade dos morros

cariocas, em forma de musical, inspirando-se em parte na sua

própria experiência de vida. A encenação foi espetacular e a

peça passou os meses seguintes excursionando a Europa,

sendo apresentada no Festival das Nações, na França.

A Semente estreou em 1961 no TBC e também contou com a direção de

Rangel. A peça, de cunho abertamente político e inteiramente fora dos

padrões do TBC, abordava de forma contundente a militância comunista,

criticando tanto a direita quanto a esquerda.

Embora contasse com atores consagrados (como Leonardo Villar, Cleyde

Yáconis, Stênio Garcia e Natália Timberg, além do próprio Guarnieri, entre

outros), fosse uma montagem grandiosa e contasse com o aval da crítica, a

peça teve problemas homéricos com a censura, o que acabou esfriando o

interesse dos freqüentadores do então chamado “Templo Burguês do Teatro Paulistae a peça saiu rapidamente de cartaz.

Nesse mesmo ano, ainda no TBC, Guarnieri participou de duas montagens

de Flávio Rangel: Almas Mortas, de Gogol e a primeira montagem de A

Escada, de Jorge Andrade.

Em 1962 ele voltou para o Arena, não só como ator e autor,

mas como dono. José Renato se alternava entre vários trabalhos no Rio e em São Paulo, e o Teatro de Arena acabou se tornando uma

sociedade entre Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José, Juca de

Oliveira e o cenógrafo Flávio Império.

Várias peças nessa nova fase, como A Mandrágora, de

Maquiavel (1962) e O Melhor Juíz, o Rei, de Lope de La Vega

(1963). O Filho do Cão, de 1964, primeiro texto de Guarnieri

desde A Semente, tratava da questão do misticismo religioso e

da reforma agrária já em um turbulento contexto político

(ano do Golpe Militar). Opta então por utilizar uma linguagem metafórica e alegórica que tomaria corpo em montagens como os musicais Arena

conta Zumbi e Arena conta Tiradentes, feitos em parceria com

Augusto Boal.

Na década seguinte daria prosseguimento a esse estilo em

peças como Castro Alves Pede Passagem 1971 e principalmente Um Grito Parado no Ar 1973 (que encenava as dificuldades da classe artística naquele período) e Ponto de Partida 1976 (onde utilizava uma vila da Idade Média como pano de fundo para focalizar a repressão a partir da morte do jornalista Wladimir Herzog), pontos capitais do teatro brasileiro nos anos 70. Na década de 80, sua carreira como autor de teatro se tornaria cada vez mais esparsa, lançando poucos textos. Em 1988 escreveu Pegando Fogo Lá Fora; em 1995 viria A Canastra de Macário, que é o momento em que

sua saúde lhe dá o primeiro susto, com um aneurisma na aorta. Em 1998 escreve com o filho Cláudio a peça Anjo na Contramão, e sua última peça foi A Luta Secreta de Maria da Encarnação, realizada em 2001.

Post. André de Jesus

Agenda de Atividades Disciplina Historia do Teatro Brasileiro Paulo F.

Postado em Alô Turma, Gianfrancesco Guarnieri em 1 de outubro de 2009 por sagradocacete

S2020195S2020220S2020221

Fotos de um momento da turma em aula teorica a frente Pascal e Jones e aulado são do exercicío O aprediz e a Torta com a Aruã, Aline (Patrão) observando Sandra (Dona Pinita) e Jones  (Dom Glutão) em cêna.

Agenda de leituras e atividades:

Dia 06/10 Aula explanativa sobre a Historia do TBC  (Teatro Brasileiro de Comedia)

Dia 13/10 Entrega e apresentação dos Argumento da  Peça

Eles não usam Black-Tie,

Dia 20/10 Assistiremos um vídeo sobre  Gianfrancesco Guarnieri,

Dia 27/10 Apresentação dos Argumento das peças;

A Semente

Sinopsia:

O Guarnieri escreve ‘A Semente’ em 1961. O texto é posterior a ‘Eles não usam Black-Tie’ e, em certa medida, transita pelas mesmas questões. ‘A Semente’ discute a opressão do homem pelas estruturas do capitalismo, que o Guarnieri traduz muito bem como as máquinas de uma fábrica”, comenta Joca Andrade. O diretor chama atenção, porém, para um tom mais áspero da dramaturgia. “É tudo muito denso, muito dramático. Há várias cenas de morte, pessoas sendo engolidas pelas máquinas. O Guarnieri toca em questões delicadas, como a exploração do trabalho infantil, por exemplo”, observa.

Arena Canta ZumBi

Sinopsia:

A efervescência cultural brasileira dos anos 50 e início dos anos 60 propiciou a criação do Teatro de Arena, em São Paulo. Naquela época, Boal e Guarnieri implantaram o que se denominou teatro político e com a finalidade de discutir e fazer reflexões da história da escravidão no Brasil foi criada a peça Arena conta Zumbi.
O espetáculo reflete o que foi o nosso país durante os séculos 19 e 20 sem perder de vista, a

No final dos anos 50 e inicio dos 60 a cultura brasileira efervescia. O cinema agora chamado de cinema novo gerava Glauber, Roberto Santos, Nelson Pereira dos Santos e outros. A música trazia além da bossa nova, a música de protesto com Tom Zé, Zé Kéti Geraldo Vandré, e outros tantos. No teatro o maior e melhor representante dessa época em São Paulo era o Teatro de Arena, onde Boal e Guarnieri implantavam, com êxito, o que se convencionou chamar de teatro político. Tudo ia no melhor dos mundos quando em 1964 os militares derrubam o governo de João Goulart e estabelecem um regime autoritário e sangrento que durou até 1985. Fechamento do congresso, privação das liberdades democráticas, prisões, torturas, mortes, censura, perseguição aos intelectuais, e tantas outras barbaridades.

Como fazer um teatro político, engajado? Como discutir as grandes questões nacionais? Como fazer com que o teatro, como dizia Plínio Marcos, fosse a tribuna do povo? Como tocar corações e mentes com a boca amordaçada?
O Teatro de Arena, sob a direção de Boal e Guarnieri encontrou a fórmula. Através da grande e maravilhosa poesia de Guarnieri; através de metáforas; através de peças que se passavam em lugares longínquos e imaginários que na realidade eram aqui mesmo e, principalmente através de musicais modernos e bem brasileiros e com estrutura dramática diferente.

Foi nesse clima que nasceu “Arena conta Zumbi”. Usando a história da escravidão no Brasil, para denunciar, não só a própria história mas também a história recente do que estava acontecendo no País.


É com esse espírito que o espetáculo deve ser assistido. Tendo presente o Brasil do século XIX e o Brasil da segunda metade do século XX. Aliás, a peça, como dizia Plínio Marcos, propõe reflexões muito pertinente ainda no Brasil de hoje. situação brasileira contemporânea.

Ponto de Partida

Sinopsia:

Em uma aldeia medieval é encontrado um homem enforcado. A partir daí desenrolam-se situações de desmandos e abusos de poder, retratando a manipulação dos fatos e os mecanismos que retiram do ser humano seu direito de manifestar livremente suas opiniões.

Um Grito Parado no Ar

Sinopsia:

O teatro de Gianfrancesco Guarnieri é como um grito parado no ar. Um protesto contra a apatia, o conformismo, o comodismo egoísta dos bem-pensantes e dos mal intencionados, através da denúncia social, da ironia quase sarcasmo, da revolta. Desde a sua estréia, em 1958, com Eles não Usam Black-tie, Guarnieri trouxe um alento novo ao teatro brasileiro. Numa atitude quase de provocação, a peça se passa num morro carioca, entre operários, em um momento de greve, que divide dramaticamente uma família. O tema reaparece, com mais intensidade, em “A Semente” (1961). Operários “definidos em função de sua categoria, atuando coletivamente contra os patrões” era um fato desconhecido no teatro brasileira, como observa Décio de Almeida Prado. O ineditismo da situação aliada à qualidade dramática das peças, explica a sua imensa repercussão.

Post.  André de Jesus

Ponto de Partida – Gianfrancesco Guarnieri

Postado em Gianfrancesco Guarnieri em 20 de junho de 2009 por sagradocacete

* Este texto foi sugerido para a audição para a turma Escola de Formação de Atores da Tribo de Atuadores Ói Noís Aqui Traveiz – Ano 2009.

Ponto de PartidaTrilha Vidas Rasas – ponto de Partida

Ponto de Partida é um dos marcos do teatro de resistência, movimento teatral que se coloca contra o regime militar de 1964 e em contraposição ao ambiente gerado pelo AI-5 e, conseqüentemente, à censura que vigora a partir de então. Faz parte de um conjunto de peças que enfoca a repressão à luta armada e a supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e alegóricas”.
“Sob o impacto da morte de Vlado escrevi “ponto de partida”. Intuía ser aquele momento decisivo para a derrocada do regime militar. Tencionava abrir meu espírito e coração escrevendo sobre os anos de chumbo em que vivíamos, assolados pelo medo, acordando sobressaltados, mas também sobre coisas belas, os atos de solidariedade, a generosidade na luta. De vlado nasceu birdo. Birdo, pássaro em esperanto, liberdade, ternura, consciência, sabedoria e amor. De Clarice Herzog, mulher de vlado, nasceu maíra, amada de birdo, encontrado em uma triste manhã, enforcado. Maíra que espera um filho de birdo, que se recusa a aceitar o suicídio do amante e que expressa as razões de sua incredulidade diante do povo. A peça é atual. Sua mensagem é válida sempre que houver autoritarismo e essa democracia totalmente esfrangalhada.”

Gianfrancesco Guarnieri.Miguel Vasca

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