Arquivo para a Historia do Pensamento Politíco categoria

seminário “Interstícios Cênicos – Cruzamentos entre Teatralidades e Performatividades na Cena Contemporânea Latino-Americana”.

Postado em Politica pública para a Cultura, Seminário Teatro em 22 de maio de 2012 por sagradocacete

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, Ministério da Cultura e Petrobras apresentam o seminário “Interstícios Cênicos – Cruzamentos entre Teatralidades e Performatividades na Cena Contemporânea Latino-Americana”. O encontro conta com performances e espetáculos, diálogos e reflexões sobre processos criativos, e acontece de 28 de maio à 2 de junho no Centro de Experimentação e Pesquisa Cênica Terreira da Tribo (Rua Santos Dumont, 1186), na sala P.F. Gastal (Usina do Gasômetro) e no centro de Porto Alegre. Entrada Franca.

 

O Seminário foi organizado em parceria com a Cátedra Latino Americana e faz parte das comemorações de trinta e quatro anos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

 

A Terreira da Tribo foi contemplada pela Funarte no edital Prêmio Procultura de Estímulo ao Circo, Dança e Teatro 2010.

 

A expansão e os cruzamentos das disciplinas artísticas têm implicado também uma transformação dos discursos cênicos. Há alguns anos as práticas cênicas enfatizam o tecido entre discursos performativos e teatrais. A performatividade é, de fato, uma dimensão da teatralidade. Longe de estigmatizar o teatro, o interesse pelo performativo pode ser um indicativo de outras construções da presença e do modo como o aqui e o agora do teatro são tecidos em vínculo com a experiência e as cenas da vida. A possibilidade de pensar os interstícios cênicos desvia também o olhar para outras dimensões do espaço cênico, para a instalação de um tempo poético no fluxo do cotidiano.

 

PROGRAMAÇÃO

 

28 de maio, segunda:

12h, na Esquina Democrática

“Terpsí em Obras” com a Terpsí Teatro de Dança.

 

20h, na Terreira da Tribo

Performance “Qual é a minha cor?” com Mara Leal do Coletivo Teatro da Margem.

 

Painel “Interstícios Cênicos: Cruzamentos entre Teatralidades e Performatividades na Cena Contemporânea Latino-Americana” com Miguel Rubio Zapata e Ileana Diéguez.

 

29 de maio, terça:

12h, na Esquina Democrática

Performance “Onde? Ação nº 2” com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

 

 

19h, na Sala P.F. Gastal (Usina do Gasômetro)

Lançamento e exibição do DVD “Viúvas – Performance Sobre a Ausência”.

 

Palestra “Performatividades da Memória” com Ileana Diéguez e debate sobre “Onde? Ação nº 2” e “Viúvas – Performance Sobre a Ausência” com Jair Krischke, Fábio Prikladnicki e Pedro Isaias Lucas.

 

30 de maio, quarta:

12h, na Praça da Alfândega

“O Amargo Santo da Purificação” com a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.

 

20h, na Terreira da Tribo

“Antígona” com Teresa Ralli do Grupo Cultural Yuyachkani.

 

 31 de maio, quinta:

16h, na Terreira da Tribo

Palestra “Presença e Representação. Estratégias para Interpelar o Presente” com Narciso Telles e debate sobre “Antígona” e “O Amargo Santo da Purificação” com Miguel Rubio Zapata, Newton Silva e Silvia Balestreri.

 

20h, na Terreira da Tribo

“Memorial de Silêncios e Margaridas” com Narciso Telles do Coletivo Teatro da Margem.

 

1º de junho, sexta:

12h, Paço Municipal

Performance “Porto: A Cidade como Palco de uma Anti-diaspora” com Teatro Sarcáustico.

 

16h, na Terreira da Tribo

Palestra “Testemunhos Cênicos – Como dar Voz ao Silêncio Histórico” com Miguel Rubio Zapata e debate sobre “Memorial de Silêncios e Margaridas” com Teresa Ralli, Clóvis Massa e Enrique Padrós.

 

20h, na Terreira da Tribo

“Danke” com Juliana Kersting e Paola Opptiz.

 

2 de junho, sábado:

16h, na Terreira da Tribo

Palestra “Espectros e Duplos Cênicos” com Mara Leal e debate sobre “Danke” com Narciso Telles, Inês Marocco e Rosyane Trotta.

 

19h, na Terreira da Tribo

Coquetel de lançamento do livro “Ói Nóis Aqui Traveiz: A História através da Crítica” de Rosyane Trotta e confraternização.

 

3 de junho, domingo:

Intercâmbios internos.

 

Palestrantes e Debatedores

 

Ileana Diéguez – México

Miguel Rubio Zapata – Peru

Teresa Ralli – Peru

Narciso Telles – MG

Mara Leal – MG

Jair Krischke – RS

Clóvis Massa – RS

Enrique Padrós – RS

Pedro Isaias Lucas – RS

Silvia Balestreri – RS

Inês Marocco – RS

Newton Silva – RS

Fábio Prikladnicki – RS

 

 

sobre os trabalhos apresentados

 

GRUPO CULTURAL Yuyachkani

O Grupo Cultural Yuyachkani, coletivo de teatro mais importante do Peru, vem trabalhando desde 1971 na vanguarda da experimentação teatral, da performance política e da criação coletiva. “Yuyachkani” é uma palavra Quéchua que significa “Eu estou pensando, eu estou lembrando”; sob este nome, o grupo teatral tem se dedicado à pesquisa coletiva da memória social, em particular, em relação às questões de etnicidade, violência e memória no Peru. O grupo é formado por sete atores (Augusto Casafranca, Amiel Cayo, Ana Correa, Débora Correa, Rebeca Ralli, Teresa Ralli e Julián Vargas), um designer técnico (Fidel Melquíades) e um diretor artístico (Miguel Rubio), que criaram um compromisso de criação coletiva como modo de produção teatral e de teatro de grupo como filosofia de vida. Seu trabalho é um dos mais importantes do “Nuevo Teatro Popular” da América Latina, com um forte compromisso com os problemas das comunidades de base, mobilização e ação política. Yuyachkani ganhou o prêmio nacional dos Direitos Humanos, no Peru, em 2000.

 

Espetáculo “Antígona”

Sobre a Antígona de Sófocles foram realizadas inúmeras versões tanto na Europa como na América Latina. A opção de Yuyachkani esteve clara desde o princípio: a indagação-aproximação do mito clássico de Antígona à realidade peruana, como una maneira de apelar à memória histórica universal para buscar nela sinais que nos ajudem a entender nossa própria realidade.

Por séculos a “Antígona” de Sófocles foi uma das tragédias gregas clássicas mais representadas e adaptadas. A obra capta como poucas outras o terreno conflituoso entre o indivíduo e o estado, entre os direitos fundamentais humanos e as leis arbitrárias de uma sociedade, entre as necessidades da natureza e a arrogância humana que trata de controlar e dirigir-lhe. “Antígona” é uma declaração sobre o caráter essencial da “desobediência civil” contra a arbitrariedade do poder político, uma vez que reafirma a importância de coisas intangíveis da vida humana como parte de uma ecologia natural e finita que no se pode ignorar nem violar.

 

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978 com uma proposta de renovação radical da linguagem cênica. Durante esses anos criou uma estética pessoal, fundada na pesquisa dramatúrgica, musical, plástica, no estudo da história e da cultura, na experimentação dos recursos teatrais a partir do trabalho autoral do ator. Não se limitando à sala de espetáculos, desenvolveu uma linguagem própria de teatro de rua, além de trabalhos artístico-pedagógicos junto à comunidade local. Abriu um novo espaço para a pesquisa cênica – a Terreira da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, que funciona como Escola de Teatro Popular, oferecendo diversas oficinas abertas e gratuitas para a população.

A organização da Tribo é baseada no trabalho coletivo, tanto na produção das atividades teatrais, como na manutenção do espaço. O Ói Nóis Aqui Traveiz segue uma evolução contínua e constitui um processo aberto para novos participantes. 

 

O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO

A encenação coletiva para Teatro de Rua conta a história de Carlos Marighella,  herói popular que os setores dominantes tentaram banir da cena nacional durante décadas. A dramaturgia elaborada pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz parte dos poemas escritos por Marighella que transformados em canções são o fio condutor da narrativa. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do ritual com o teatro dança. Através de uma estética ‘glauberiana’, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas da cidade uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.

 

ONDE? AÇÃO Nº 2

A performance “Onde? Ação nº2” de forma poética provoca reflexões sobre o nosso passado recente e as feridas ainda abertas pela ditadura militar. A ação performática se soma ao movimento de milhares de brasileiros que exigem que o Governo Federal proceda a investigação sobre o paradeiro das vítimas desaparecidas durante o regime militar, identifique e entregue os restos mortais aos seus familiares e aplique efetivamente as punições aos responsáveis.

 

VIÚVAS – Performance Sobre a Ausência

¨Viúvas, Performance sobre a Ausência¨ faz parte da pesquisa teatral que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. Viúvas mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos  pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer. O Teatro de Vivência do Ói Nóis Aqui Traveiz procura uma forma de relação aberta e sincera com o público, em que atores e espectadores partilhem de uma experiência comum, que tenha intensidade de um acontecimento, capaz de produzir novas formas de percepção.

 

COLETIVO TEATRO DA MARGEM

O Coletivo Teatro da Margem surgiu a partir de um grupo de pesquisa teatral orientado pelo Profº Dr. Narciso Telles integrado por alunos do curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Inserido na contemporaneidade, dialogando com o pós-dramático, se propõe à busca de uma expressividade coletiva que dialogue com a pesquisa acadêmica, mas sem perder a efervescência da criação estética em arte e do fazer teatral.

 

Espetáculo “Memorial de SILÊCIOS E MARGARIDAS”

Em um passado ainda recente, foram instaurados regimes ditatoriais de governo, em diversos países latino-americanos, onde as vozes dissidentes eram caladas com muita dor, crueldade e sofrimento. A dramaturgia de Memorial de Silêncios e Margaridas é uma busca dos sentimentos humanos em meio a histórias de pessoas impedidas das coisas mais simples de seus cotidianos e, de outras tão importantes como amar e sonhar. Partimos de narrativas e silêncios das pessoas, das suas músicas, das leituras de Eduardo Galeano, de Frei Beto, de visitas ao Memorial da Resistência no antigo prédio do DEOPS, e muitas outras investigações, na tentativa de desvelar algumas marcas dos sobreviventes, mas também daqueles que tiveram prazer em produzir rostos sem traços, em arrancar jovens de suas casas para jogá-los depois em terrenos baldios, em sepulturas clandestinas ou até no mar. Procuramos apenas falar um pouco desses seres humanos, não no sentido de rememoração de suas dores, mas para que não esqueçamos nunca que algo aconteceu e de como poderia ter sido diferente!

 

Performance “Qual é a minha cor?”

Com o interesse em desenvolver uma performance autobiográfica sobre as questões raciais, resolvi falar da cor da minha família, não de minhas origens porque elas são quase desconhecidas, mas da minha geração: eu e meus inúmeros primos e primas, focando nas relações mais próximas. Mas como abordar essa questão? Resolvi encenar como essas diferentes variações cromáticas da pele são tratadas em nossa sociedade. Parto da primeira noção de cor que nos é imposta: a certidão de nascimento e de como essas cores são dicionarizadas, ou seja, como a sociedade, a linguagem trata desse tema.

 

ESPETÁCULO “DANKE”

DANKE é o espetáculo do texto de Dario Fo e Franca Rame, “Eu, Ulrike? Grito…”, que conta a história de Ulrike Meinhof, do dia em que ela foi presa até o dia do seu suposto suicídio. Porém é melhor falar em personagens pois Ulrike Meinhof contracena com a sua carcereira, ou o seu duplo. Ela se perde de si mesmo frente à violência e à privação a que é submetida. No vazio e silêncio da prisão ela busca relações reais e imaginárias com o espaço e o tempo. A distância em face de si mesmo lhe propõe o resgate de sua própria identidade e o encontro consigo mesma.

O público é o outro, parte atuante que é revelado pela personagem, ao mesmo tempo em que revela a personagem na sua solidão, no seu desespero, na sua loucura, na sua intensidade, na sua inteireza, na sua coragem e na sua resignação.

 

Terpsí em Obras

Terpsí em Obras é uma instalação coreográfica criada especialmente para o  Forum Social Mundial temático de 2012, utilizando o ambiente da rua. Esta instalação propõe a releitura das obras da Cia Terpsí Teatro de Dança conectadas pelos temas da sustentabilidade e humanidade,os quais são tratados a partir do viés da interdisciplinaridade.  Se trata de um  resgate dos 25 anos de história da Cia Terpsí  revividos através de fragmentos de Lautrec fin de siecle (1993), O Banho (2000), E la nave no va (2003), Ditos e Malditos: desejos de clausura (2009) e  Casa das Especiarias (2011). Esta obra propõe uma reflexão sobre questões  contemporâneas como o desejo, prazer, hipocrisia, destruição e (in) sustentabilidade.

 

Sobre Teatro Sarcáustico

O grupo TEATRO SARCÁUSTICO surgiu em janeiro de 2004, do Trabalho de Conclusão do Curso de Artes Cênicas (UFRGS), de Andressa de Oliveira, Daniel Colin e Tatiana Mielczarski, intitulado GORDOS ou somewhere beyond the sea. Nestes 08 anos de trabalho continuado, foram produzidos outros sete espetáculos profissionais, além de performances, oficinas, intervenções urbanas, workshops e cursos de formação de atores. O TEATRO SARCÁUSTICO recebeu importantes prêmios do estado(Açorianos de Teatro, Tibicuera de Teatro Infantil, RBS Cultura e Braskem em Cena) e é considerado uma das mais significativas companhias da cena teatral gaúcha contemporânea. Atualmente, o TEATRO SARCÁUSTICO é um dos grupos que integram o Projeto Usina das Artes, que prevê a ocupação do Centro Cultural Usina do Gasômetro em Porto Alegre.

 

Sobre PORTO: A cidade como palco de uma anti-diáspora

“PORTO: A cidade como palco de uma anti-diáspora” é um projeto composto por quatro performances/intervenções urbanas realizadas na cidade de Porto Alegre, concebido para discutir sobre o êxodo dos artistas ao qual a cidade assiste, as dificuldades do fazer artístico contemporâneo em Porto Alegre, suas possibilidades e necessidades, impelindo seus criadores a procurar novas cidades para se realizarem.

“PORTO” é o que o próprio nome propõe: a luta de jovens artistas gaúchos em defender sua cidade um pólo artístico-cultural do país e recebeu o Prêmio FUNARTE Artes Cênicas na Rua 2011.

 

PALESTRANTES E DEBATEDORES

 

Ileana Diéguez (Cuba – México)

Doutora em Letras (2006) com instância pós-doutoral em História da Arte, UNAM, apoiada pelo CONACYT (2008-2009); professora investigadora da Universidad Autónoma Metropolitana (UAM), unidade Cuajimalpa, México, DF; membro do Sistema Nacional de Investigadores. Foi Coordenadora de Investigações do Centro Nacional de Investigación Teatral Rodolfo Usigli e vice-diretora da Escuela Internacional de Teatro de América Latina y el Caribe (EITALC). É membro fundadora da Cátedra Itinerante de la Escena Latinoamericana. Organizou e coordenou os processos de investigação de várias oficinas cênicas em diferentes países e realizou a curadoria de vários encontros internacionais sobre os temas teatralidade, performance e arte. É autora do livro, traduzido em português, Cenários Liminares: Teatralidades, performances e política (Edufu, 2011).

 

Miguel Rubio Zapata (Peru)

É Bacharel em Sociologia pela Universidad Inca Garcilaso de la Veja, Doutor Honoris Causa pelo Instituto Superior de Arte da Universidad de La Habana (Cuba). É membro fundador e diretor do Grupo Cultural Yuyachkani (1971), no qual postula um teatro de criação e investigação a partir do material que os atores propõem. No campo pedagógico dirige o Laboratorio Abierto de Yuyachkani e as demonstrações de trabalho. É membro do Conselho de Direção da Escuela Internacional de Teatro para América Latina y el Caribe (EITALC), atualmente com sede no México, DF e membro fundador da Cátedra Itinerante de la Escena Latinoamericana. Autor dos livros Notas sobre teatro (2001), El cuerpo ausente (performance política) (2006) e Raíces y Semillas. Maestros y Caminos del Teatro en América Latina (2011).

 

Teresa Ralli (Peru)

É membro fundadora do Grupo Cultural Yuyachkani e participou da criação e encenação de todos os espetáculos coletivos do Grupo. Impulsionou a linha pedagógica no coletivo, sendo responsável pela organização de eventos e atividades pedagógicas. Viajou por todo Peru ensinando teatro em grupos independentes, colégios estatais e particulares, organizações de mulheres e grupos comunitários diversos. Desde 1990 participa do Magdalena Project, organização que reúne mulheres criadoras dos cinco continentes. Desde 1998 é professora da Pontificia Universidad Católica do Peru, na Facultad de Artes y Ciencias de la Comunicación, Especialidad de Artes Escénicas.

 

Fábio Prikladnicki

Jornalista e mestre em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É repórter do Segundo Caderno do jornal Zero Hora e colaborou com diversos veículos de mídia impressa e eletrônica no país. Participou dos júris do Prêmio Açorianos de Teatro (2005 e 2011) e do Prêmio Braskem Em Cena (2006 e 2011). Em 2011, foi crítico convidado do 14º Festival Recife do Teatro Nacional. Entre 2008 e 2010, foi coordenador e professor do curso de extensão em Crítica Cultural na Unisinos.

 

Inês Alcaraz Marocco

Diretora teatral e pesquisadora da formação do ator, principalmente em teatro. Possui graduação em Direção Teatral e Licenciatura em Arte Dramática pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1975), mestrado em Diplôme d’Études Aprofondies – Université de Paris VIII (1985) e doutorado em Doctorat en Esthétique Sciences et Technologie des Arts – Université de Paris VIII (1997). Formação na École Internationale de Théâtre, Mime et Mouvement Jacques Lecoq (1983/1984). Atualmente é professora do departamento de Arte Dramática (DAD) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

 

Newton Pinto da Silva

Mestre em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAC/UFRGS), com a dissertação Palcos da Vida: o vídeo como documento do teatro em Porto Alegre nos anos 1980 (2010). Possui graduação em Comunicação Social – Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1992). É repórter e apresentador de televisão da Fundação Cultural Piratini – Rádio e TV (TVE/RS), com foco no Jornalismo Cultural.

 

Silvia Balestreri Nunes

Professora do Departamento de Arte Dramática e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, do qual é coordenadora. É co-fundadora do Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro (CTO-Rio), com direção de Augusto Boal. Atualmente coordena o projeto de pesquisa Teatro e Produção de Subjetividade: Exercícios Micropolíticos, com foco na obra do pluriartista italiano Carmelo Bene.

 

Jair Krischke

É Ativista dos Direitos Humanos, com atuação no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Fundou o Movimento de Justiça e Direitos Humanos em março de 1979.  Um dos fundadores do CELADI -  Centro Latinoamericano de Investigación. Participou ativamente das campanhas pela Anistia, pela libertação dos últimos presos políticos brasileiros e pelas Diretas Já.

 

 

Enrique Serra Padrós

Professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História (UFRGS). Especialista em História Latino-americana, Mestre em Ciência Política e Doutor em História. Chefe do Departamento de História e Vice-coordenador do Programa de Relações Internacionais. Pesquisador vinculado ao GT de Ensino/Anpuh-RS e Arquivistas Sem Fronteira/Brasil. Pesquisa temas vinculados às Ditaduras de Segurança Nacional Latino-americanas e História Mundial do Tempo Presente. Organizador de obras coletivas e autor de inúmeros artigos e capítulos de livros sobre temas vinculados às áreas de atuação.

 

Clóvis Massa

Professor de Teoria e História do Teatro no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS. Doutor em Letras na área de Teoria da Literatura (FALE/PUCRS), com estágio doutoral na Université Paris 8 – Saint-Denis. Mestre em Artes Cênicas (ECA/USP) e Bacharel em Artes Cênicas – Habilitação em Interpretação Teatral (DAD/UFRGS).

 

Pedro Isaias Lucas

Mestrando em Artes Cênicas no PPGAC na UFRGS e Bacharel em Direção pela mesma universidade. Fez o roteiro de Caminhos de pedra – Tempo e memória na Linha Palmeiro (2008); pesquisa e consultoria de roteiro de Walachai (2011); fotografia e montagem de O amargo santo da purificação (2011). Recentemente lançou seu primeiro longa-metragem Argus Montenegro & a instabilidade do tempo forte (2012).

 

 

Contatos:

Paula Carvalho

paula.terreira@gmail.com

(51) 9396 11 40

 

Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz

terreira.oinois@gmail.com

(51) 3286 57 20 / 9999 45 70

 

 

O MST realiza uma série de protestos na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária

Postado em História do Brasil, Movimentos Sociais em 17 de abril de 2012 por sagradocacete

 O MST realiza uma série de protestos na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, nesta segunda-feira (16), para cobrar a realização da Reforma Agrária e pela punição dos responsáveis pela morte de 21 trabalhadores rurais assassinados no Massacre de Eldorado dos Carajás, em operação da Polícia Militar, no Pará, em 1996.

 

Já foram realizados protestos em 15 estados, somando 38 ocupações de terra, cinco ocupações de sedes do Incra, quatro protestos em prédios públicos, além de trancamentos de estradas e criação de acampamentos nas cidades.

Em Brasília, cerca de 1500 trabalhadores rurais do MST ocuparam o Ministério do Desenvolvimento Agrária (MDA) em Brasília, para denunciar a estagnação da Reforma Agrária e a diminuição de investimentos em desapropriações de terras no país por parte do governo federal.

Em Pernambuco, os Sem Terra já ocuparam seis fazendas improdutivas. Nesta segunda, cerca de 300 famílias ocuparam a fazenda Amargoso, no município de Bom Conselho, agreste do estado, e a fazenda Condado, no município de São Bento do Una.

Na Bahia, já foram ocupadas 25 fazendas. Só no sul do estado mais de mil trabalhadores rurais Sem Terra ocupam quatro áreas no sul da Bahia, nos municípios de Alcobaça, Prado, Mucuri e Teixeira de Freitas. Três das quatro áreas ocupadas pertencem à empresa Suzano Celulose. Em Salvador, cerca de 3 mil integrantes dos movimentos sociais do campo, como o MST, montaram acampamento na manhã desta segunda em frente à sede do Incra, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. Eles cobram a aceleração dos projetos de reforma agrária, por parte do governo federal e medidas contra a estiagem que atinge o semiárido baiano. De acordo com o governo baiano, 200 municípios decretaram situação de emergência por causa da seca, a pior dos últimos 30 anos.

No Ceará, o Palácio da Abolição, sede do governo do estado, foi ocupado por cerca de 1.500 trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. O ato reivindica ações por parte do governo para amenizar os efeitos da seca que já atinge vários municípios, além do assentamento imediato das 2.000 famílias acampadas no estado.

No Rio Grande do Sul, 300 famílias de Sem Terra fizeram duas ocupações. As áreas ficam nos municípios de Sarandi e Santa Margarida do Sul (que tem 950 hectares estão em processo de desapropriação há mais de três anos).

No interior de São Paulo, no Pontal do Paranapanema, 600 Sem Terra ocupam a Fazenda São Domingos, no município de Sandovalina. Essa fazenda já foi ocupada diversas vezes e, em uma delas, houve um conflito que acabou na morte de sete trabalhadores rurais. Os trabalhadores protestam contra o projeto do governador Geraldo Alckmin de legalizar a grilagem no extremo oeste paulista.

No Maranhão, cerca de 400 camponeses ocupam a sede do Incra, em Imperatriz, sudeste do estado. O protesto cobra o assentamento das 3.500 famílias acampadas no estado, em 19 acampamentos só do MST. Há famílias que lutam há 14 anos pelo assentamento definitivo, já que no estado nenhuma área foi desapropriada nos últimos quatro anos.

Na Paraíba, a sede do Incra também foi ocupada na manhã dessa segunda-feira por cerca de 500 famílias camponesas. Os lavradores entregaram uma pauta de reivindicação ao superintendente do Incra, Lenildo Dias de Morais, reivindicando desapropriação de áreas, garantia de infraestrutura para assentamentos e liberação de linhas de créditos para as famílias camponesas. Mais de 100 famílias ocuparam duas áreas do sertão da Paraíba.

Em Rondônia, 700 pessoas participaram da ocupação da sede do Incra de Ji-Paraná. Os camponeses esperam que o superintendente do Incra, Luiz Flavio Carvalho Ribeiro, se posicione sobre a pauta de reivindicações entregue há 15 dias pelos Sem Terra.

No Rio de Janeiro, o prédio do Incra na cidade do Rio de Janeiro também foi ocupado por cerca de 300 Sem Terra. Os manifestantes reivindicam a efetivação da Reforma Agrária e denunciam a paralisação do processo de assentamento das famílias acampadas.

No Mato Grosso, cerca de 200 trabalhadores do MST ocuparam a sede da Receita Federal, cuja mobilização começou na noite de sábado, ao montarem um acampamento na Praça Ulisses Guimarães, localizada na Avenida Rubens de Mendonça, em frente ao Centro Político e Administrativo. Além disso, outros 400 camponeses bloquearam um trecho da BR-163, no norte de Mato Grosso. O bloqueio acontece em um trecho distante nove quilômetros da cidade de Sorriso, a 420 km de Cuiabá.

No Mato Grosso do Sul, 250 famílias do MST ocuparam a Fazenda Boa Esperança, localizada às margens da rodovia MS-134, há cerca de 10 quilômetros da sede do município de Batayporã. Houve também um bloqueio nessa estrada.

No Paraná, mais de 500 camponeses montaram um acampamento na cidade de Curitiba e ocuparam parte das ruas da cidade na manhã desta segunda-feira, em marcha de aproximadamente três quilômetros ao prédio do Incra, onde entregaram uma pauta de reivindicações. Os Sem terra pretendem permanecem na capital paranaense até sexta-feira, período em que terão reuniões com várias entidades e secretarias estaduais.

Em Minas Gerais, cerca de 40 famílias do MST ocupam a fazenda Palmeiras no município de Carmo do Paranaíba, desde o começo do mês. A área faz parte de um conglomerado de outras quatro propriedades pertencentes à massa solvente Ofir de Castro, que juntas totalizam cerca de 800 hectares. Atualmente, 150 famílias do Movimento ocupam quatro das cinco áreas pertencentes ao grupo, por Reforma Agrária.

A rodovia BR 304, no Rio Grande do Norte, foi trancada por cerca de 700 trabalhadores (as) do MST no dia 2. O trancamento da rodovia serviu para denunciar as ações do poder judiciário da região que emitiram mandatos de despejos ilegais em três áreas de acampamentos do MST.

No estado do Pará, a Juventude do MST iniciou desde o último dia 8 de abril o seu 7° Acampamento Pedagógico “Oziel Alves”, em Eldorado dos Carajás. Desde 2006, a juventude Sem Terra do estado se reúne em memória às vítimas e cobram justiça. O acampamento irá até o dia 17 desse mês e todos esses dias os jovens fazem o fechamento da rodovia (BR-155) por 21 minutos, em memória ao massacre. No último dia do acampamento, 17 de abril (Dia Internacional da Luta Camponesa), acontece um ato político na chamada ‘Curva do “S”.

Movimento de Justiça e Direitos Humanos – 5º Encontro Latino-Americano por Memória, Verdade e Justiça.

Postado em História do Brasil, Movimentos Sociais em 3 de abril de 2012 por sagradocacete



COMPROMISSO DE PORTO ALEGRE

 

Versão revisada.

 

Os participantes do 5° Encontro Latino-Americano pela Memória, Verdade e Justiça – “CUMPRIR COM A VERDADE”, reunidos na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na cidade de Porto Alegre, entre 30 de março e 1° de abril de 2012, aos 48 anos do golpe de Estado no Brasil, concordam em declarar que nossos Países devem respeitar e aplicar o direito internacional e as resoluções dos organismos responsáveis pela sua aplicação e que também devem cumprir com a Verdade, esclarecendo as graves violações aos direitos humanos ocorridas durante as ditaduras vigentes na região, na segunda metade do século XX.

Como nos encontros celebrados durante todo o ano de 2011, em Buenos Aires, Montevidéu, Santiago do Chile e La Paz, nas datas dos aniversários de seus golpes de Estado, nos comprometemos a levar adiante, onde quer que seja, o caráter supranacional das convenções e dos tratados internacionais a que nossos Estados tenham aderido, os quais devem ser incorporados às nossas constituições, admitindo uma hierarquia equivalente na medida em que essas normas acolhem o direito das pessoas, povos e permitem a convivência entre as nossas nações.

Comprometemo-nos também a confrontar toda a lei, decreto ou norma que possa reduzir, anular ou restringir a proteção aos direitos humanos, e propugnar que os Estados criem legislações nacionais para assegurar a execução e o cumprimento das sentenças penais dos organismos internacionais, sem que possam ser invocados conceitos de anistia, prescrição, irretroatividade da lei penal, coisa julgada, “ne bis in idem”, ou de qualquer excludente similar de responsabilidade que obstrua a investigação e a punição dos crimes contra a humanidade, conforme já estabelece a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

À luz das experiências recolhidas em vários de nossos países, comprometemo-nos a exigir que as Comissões da Verdade, que devem ser constituídas para o esclarecimento das violações dos direitos humanos, tenham a autonomia e o poder que lhes permitam realizar plenamente o seu trabalho, e que as instituições ou entidades criadas pelos nossos Países para a proteção e a vigilância dos direitos humanos tenham a autonomia necessária para atuar com independência a fim de que aqueles fatos nunca mais se repitam.

Reiteramos o compromisso de exigir a abertura de todos os arquivos de Estado, particularmente aqueles dos serviços de inteligência das forças armadas (necessariamente submetidas ao poder civil), para reconstruir o passado, e, simultaneamente, exigir a aprovação de normas de “habeas data” que protejam as vítimas e denunciem os violadores. Neste sentido, comprometemo-nos com a luta, desde o âmbito de nossas ações, para exigir de nossos representantes “uma vontade política” que transcenda os programas de um governo e que venha a constituir uma política de Estado para a defesa dos direitos humanos.

Conhecedores de todos os horrores que sofreram milhões de latino-americanos em centros clandestinos de tortura e de desaparição, em campos de concentração, nas cadeias e quartéis, redobramos o nosso comprometido esforço para que os agentes de Estado, assim como os seus cúmplices civis, que violaram os direitos humanos sejam processados e punidos com penas proporcionais aos seus crimes. O Estado tem a obrigação de impedir crimes de guerra, genocídios e crimes de lesa humanidade.

Os Estados devem também reparar integralmente as vítimas das graves violações ao direito internacional humanitário, acatando e cumprindo a Resolução Internacional nº 60/147 da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2005, quando se estabeleceu o direito à reparação integral às vítimas com medidas adequadas: restituição, indenização, reabilitação, satisfação e garantias da não repetição e da prevenção, o que também contribui para garantir que nunca mais ocorra o terrorismo de Estado.

Apresentamos nossa solidariedade aos ex-presos políticos das ditaduras na Bolívia, os quais esperam o cumprimento, por parte do Estado, da Lei 2.640, de reparação, dívida ainda pendente com o povo boliviano.

Comprometemo-nos, também, a apoiar o esforço do Estado Argentino de investigar os crimes de lesa humanidade que tiveram por vítimas todos os soldados combatentes, em 1982, nas Ilhas Malvinas (que constituem uma parte integral e indivisível do território argentino, cuja soberania se vê violentada pela ocupação colonialista do Reino Unido). Entendemos que tais crimes foram cometidos por seus superiores formados na Doutrina de Segurança Nacional, ministrada pela Escola das Américas para implantar a tortura, a desaparição de crianças e as violações massivas de direitos humanos de nossos povos. Tal prática afastou os Estados dos ensinamentos dos Libertadores de nossa América.

Convocamos, finalmente, ao 6° Encontro Latino-americano pela Memória, Verdade e Justiça que se celebrará no Paraguai, em lugar e em data que serão comunicadas oportunamente.

 

Pedimos divulgação.

 

Saudações

 

Jair Krischke – Presidente

Movimento de Justiça e Direitos Humanos


 

REDEMOINHO 27 DE MARÇO

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Vitor Jara Chileno Canta Che Guevara!!

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