ps. é o link da última parte…. não sei porque não tá rolando de entrar direto o vídeo, mas…… tb não é difícil de achar assim!! hehehehe
TEATRO NEGRO NO BRASIL
Contexto Histórico/Origens, surgimento…
Início do Século XVI:
Brasil – colônia
Século XVIII:
Século XIX:
Império do Brasil
Século XX:
República Federativa do Brasil
Grupos de Teatro Negro – Brasil
Década de 1920:
Década de 1950:
Década de 1990:
Fortalece-se o estudo da cultura negra, no Brasil. Através de movimentos e iniciativas artísticas afro-descendentes, que visam preencher as lacunas e minimizar o apagamento sistemático da experiência negra no discurso historiográfico e artístico brasileiro.
Rio de Janeiro:
Pernambuco:
Porto Alegre:
Belo Horizonte:
Salvador:
Companhia Negra de Revistas
A Companhia Negra de Revistas foi Idealizada e fundada por João Cândido Ferreira (1887-1956) – artista, mulato, conhecido no mercado revisteiro por “De Chocolat”. A companhia teve como referências mais imediatas modelos do teatro norte-americano que, ao final da década de 1910, tiveram grande sucesso na Europa e, em particular, na França. Num momento em que discursos preconceituosos, de inferioridade racial estavam em debate na sociedade seguiram-se as encenações das peças de De Chocolat, como por exemplo, “Tudo Preto”, “Café Torrado”, “Carvão Nacional”, entre outras. A companhia trouxe à tona as relações entre a questão racial e a nacionalidade brasileira, a participação do negro na sociedade, por exemplo. As peças da companhia defendiam um Brasil “mestiço”, sendo possível a boa convivência racial. Tinha o formato do Teatro de Revista, um entretenimento popular de gênero musicado no qual eram apresentadas as novidades e acontecimentos sociais e políticos do momento. Artistas talentosos trabalharam na Companhia, como Pixinguinha e Grande Othelo, que entrou para a Companhia Negra no momento em que ela chegou à capital de São Paulo seguindo com ela para todos os lugares para onde excursionou, menos para o Rio Grande do Sul. Integrou o elenco por cerca de cinco meses.
A simples existência da “Negra” causou grande impacto na cena do entretenimento carioca. Sua trupe era composta quase inteiramente por artistas negros e mulatos e seus espetáculos trabalhavam as questões referentes à cor e à cultura afro-brasileira. Durante a existência da Companhia, houve algumas vezes menção a uma excursão à Argentina, ao Rio de Janeiro, ao Recife, à Bahia e, por fim, ao Rio Grande do Sul. Quando a trupe estava na Bahia em abril de 1927, um dos jornais locais, Diário da Bahia, noticiou que uma empresa argentina convidara a Companhia para uma excursão à Argentina, ao Uruguai, podendo ainda se estender à Europa. Em junho, já no Rio Grande do Sul, o assunto voltou ao foco e com grande estardalhaço. Uma revista do Rio de Janeiro especializada em teatro, entre outras considerações, publicou: “Não é o caso dos poderes públicos, principalmente do Ministério das Relações Exteriores, evitarem essa propaganda do nosso país e, logo onde, na República vizinha e amiga?”. A SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais) reuniu seu Conselho Deliberativo e decidiu contra a excursão, pois, como a mesma “redundará em descrédito do nosso país, a SBAT, como lhe cumpre, irá agir energicamente a fim de impedir a consumação desse atentado aos foros de nossa civilização”. Ainda declararam que iriam constituir uma comissão para convencer a Companhia a desistir de seu intento e, caso insistisse, teria a SBAT “de agir por meios mais eficazes”. Iniciou-se uma campanha, envolvendo inclusive os poderes públicos e o próprio Ministério das Relações Exteriores, no sentido de impedir tal “propaganda” do país. De certo modo, já frágil por uma série de conflitos internos, o episódio foi decisivo para a dissolução da Companhia Negra de Revistas. Contudo, ainda que impedida de mostrar aos argentinos um país negro, as peças da companhia já apontavam para o esgotamento social, cultural e político das apostas num projeto de Brasil branco. Mesmo desprezados e considerados cidadãos de segunda classe, os afro-brasileiros não podiam mais ser ignorados como elementos formadores da sociedade, da cultura e da “civilização” brasileiras.
TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO
Um projeto cultural amplo fundado por Abdias do Nascimento, em 1944. Reunindo educação, arte e cultura. Dentre as atividades, a função teatral e outras ações culturais e sociais que visavam alcançar transformações radicais no palco e na sociedade em geral. Um laboratório de experimentação artística… Existiu como o desmascaramento da hipocrisia racial que permeia a nação. Foram realizados cursos, congressos com ênfase na troca de idéias e experiências na análise e discussão sobre o afro brasileiro. As atividades do TEN incentivam a criação de iniciativas semelhantes. No Rio de Janeiro, em 1950, Solano Trindade funda o Teatro Popular Brasileiro; em São Paulo, os grupos negros encontram na dramaturgia norte-americana uma fonte para suas encenações experimentais; Geraldo Campos de Oliveira funda também um Teatro Experimental do Negro, que se mantém em atividade durante mais de quinze anos e monta, entre outros, O Logro, de Augusto Boal, 1953; O Mulato, de Langston Hughes, 1957; Laio Se Matou, de Augusto Boal, direção de Raul Martins, 1958; O Emparedado, de Tasso da Silveira; e Sucata, de Milton Gonçalves, ambos em 1961.
Por duas vezes o TEN é impedido de participar de festivais negros internacionais pelo próprio governo brasileiro. Segundo a historiadora Miriam Garcia Mendes, no entanto, esses fatos não devem ser compreendidos apenas como fruto da discriminação racial: “… os movimentos de vanguarda, e o TEN era um deles, sempre enfrentaram grandes dificuldades, não só por falta de apoio oficial, como pela natural reação do público (…) habituado às comédias de costumes inconseqüentes ou dramas convencionais”.
Estreou com a peça “O Imperador Jones” (Eugene O’NEILL), em 05.05.1945, cenário de Enrico Bianco e atuação de Aguinaldo de Oliveira Camargo. Segue trecho da entrevista do “Bloguinho Intempestivo”, com Abdias do Nascimento, sobre a existência de um texto dramatúrgico que valorizasse o negro e a cultura africana ou afro brasileira:
Abdias: Nem ao menos um único texto que refletisse nossa dramática situação existencial, pois, como diria mais tarde Roger Bastie, o T.E.N. não era a catarsis que se exprime e se realiza no riso, já que “o problema é infinitamente mais trágico: o do esmagamento da cultura negra pela cultura branca”. Sem possibilidade de opção, O Imperador Jones se impôs como solução natural. (…) Escrevemos a Eugene O’Neill uma carta aflita de socorro. (…) De seu leito de enfermo, em São Francisco, a 6 de dezembro de 1944, O’Neill nos responde: “O senhor tem permissão para encenar o Imperador Jones isento de qualquer direito autoral, e desejo ao senhor todo o sucesso que espera com o Teatro Experimental do Negro. Conheço perfeitamente as condições que o senhor descreve sobre o teatro brasileiro. (…)” Encontramos em Aguinaldo de Oliveira Camargo a força capaz de dimensionar a complexidade psicológica de Brutus Jones. Em 1947, afinal, o encontro do primeiro texto brasileiro escrito especialmente para o T.E.N. — O Filho Pródigo, de Lúcio Cardoso e, também criado para o T.E.N., por Joaquim Ribeiro: Aruanda.
Na temporada seguinte foi encenada outra peça de O´Neill: “Todos os Filhos de Deus Têm Asas”, apresentada no Teatro Fênix, em 1946, com direção de Aguinaldo Camargo, cenários de Mário de Murtas, lançando uma atriz que se firmaria entre as maiores do nosso teatro: Ruth de Souza. Ano seguinte, encenou o primeiro original brasileiro do seu repertório: “O Filho Pródigo”, de Lúcio Cardoso. Ainda em 1947, o TEN participa de Terras do Sem Fim, de Jorge Amado, adaptação de Graça Mello, com direção de Zigmunt Turkov, montagem em colaboração com Os Comediantes. Em 1949, é a vez de Filhos de Santo, de José de Morais Pinho, selecionado entre os textos escritos especialmente para o TEN. Contendo muitos elementos da cultura religiosa negra e pincelada de crítica social, a peça se baseia em uma situação maniqueísta em que uma jovem é enfeitiçada por um pai-de-santo vilão, que a rouba de seu amado. O espetáculo ocupa o Teatro Regina, com direção de Abdias do Nascimento e cenários de Tomás Santa Rosa. Em 1950, o TEN estréia Aruanda, de Joaquim Ribeiro, um dos poucos textos bem-sucedidos do repertório lançado pela companhia. Trata-se de uma lenda desenvolvida com recurso ao mistério e à sensualidade, sobre o amor entre Rosa Mulata e o Deus Gangazuma, com quem ela se encontra por meio de seu marido, que recebe o espírito do Deus. No ano de 1961, Abdias escreve a antologia “Dramas para Negros e Prólogo para Brancos”. O TEN, na década de 1960, conseguiu uma atuação relevante e representativa na história teatral brasileira. Promoveu uma transformação singular na modulação cênica do signo negro, a releitura e recomposição da subjetividade e da experiência histórica. O intérprete negro é o sujeito da sua auto-representação. Uma linguagem dramática e cênica alternativa: a negrura se erigia e era investida de um poder agenciador ímpar no cenário do teatro brasileiro. No final dos anos 60 a ditadura militar silencia o TEN.
Ideais do TEN:
Iniciativas do TEN:
Dilemas:
O principal objetivo do Teatro Experimental do Negro, como consta em vários textos publicados sobre este grupo, era dar condições ao negro de levar aos palcos personagens livres dos estereótipos que foram sendo absorvidos e reproduzidos pelo teatro brasileiro. Mas como levar arte a um povo subjugado e desacreditado em seus direitos de cidadão contribuinte na construção do seu país? Então, paralelo ao trabalho teatral – que tinha como atores empregadas domésticas, poetas, pintores, advogados, militantes negros e outros -, o TEN organizou uma série de atividades de valorização social do negro no Brasil através da educação, da cultura e da arte. No Brasil, enfrentando o tabu da “democracia racial”, o Teatro Experimental do Negro era a única voz a encampar consistentemente a linguagem e a postura política da negritude, no sentido de priorizar a valorização da personalidade e cultura específicas ao negro como caminho de combate ao racismo. Por isso, o TEN ganhou dos porta-vozes da cultura convencional brasileira o rótulo de promotor de um suposto racismo às avessas. Porém, o Teatro Experimental do Negro trouxe para a cena brasileira atores negros, e estes não atuavam apenas nos palcos, e sim em diferentes momentos da vida social, e não mais como coadjuvantes, mas como sujeitos de sua história.
TEATRO NEGRO E ATITUDE (TNA)
No caso de Minas Gerais esses propósitos surtem efeito a partir dos anos 90, quando surge o primeiro grupo de teatro negro em Belo Horizonte: TEATRO NEGRO E ATITUDE (TNA). Mesmo sendo de diferentes épocas e linhas de trabalho, ambos os grupos se assemelham por colocarem no centro da cena artista e atores negros. A idéia de se ter um grupo de teatro apenas com atores negros em Belo Horizonte surge em 1993, quando ativistas do Movimento Negro Unificado se reuniam para definir suas estratégias partidárias e panfletárias intuindo agregar associados ao movimento para chamar a atenção da sociedade para as questões dos negros, dos favelados e periféricos da cidade. Em 13 de junho de 1994, após um ano de maturação, o ativista negro Hamilton Borges, apresenta para a cidade o TEATRO NEGRO E ATITUDE (TNA), com uma cara partidária, panfletária e didática. Seu surgimento foi uma conjuração poética, uma rebelião estética, uma pancada, uma conspiração cênica para que negros e negras de Minas Gerais fossem protagonistas da suas histórias, que se encontrassem no centro da criação e, nesse processo, tivessem por referência uma visão de mundo afro-descendente. Em 1995, quando a Secretaria de Cultura de Belo Horizonte (hoje Fundação Municipal de Cultura), através do Centro Cultural Inter regional Lagoa do Nado (CCILN), anunciou a implantação da Usina de Teatro, nascida para dar suporte técnico e pedagógico para grupos de teatro profissionais e semi-profissionais, o TEATRO NEGRO E ATITUDE, recém-nascido, logo se interessou em fazer parte desta experiência de descentralização e fomento da arte na periferia. Com passos firmes a Usina caminhou, estimulou e fortaleceu os grupos que atenderam o chamado.
O revigoramento do Teatro Negro no Brasil não é um fenômeno apenas mineiro, companhias e grupos vêm dando cor à cena teatral brasileira a partir dos anos 90, e estas dão continuidade às iniciativas dos anos 20, Companhia Negra de Revistas, dos anos 40 aos anos 60, Teatro Experimental do Negro, Teatro Popular Brasileiro, Grupo Brasiliana e Teatro Profissional do Negro – TEPRON, até hoje atuante. E como bem lembrado no I Fórum de Performance Negra, proposto pelo Bando de Teatro Olodum e Cia. dos Comuns, “para além de trabalharem em favor de uma mesma missão artística”, esses grupos e companhias contemporâneas, “compartilham dificuldades semelhantes. A escolha de repertório, a manutenção via patrocínio, a disponibilidade de pauta e o acesso aos meios de comunicação e ao público são quase sempre obstáculos, às vezes, intransponíveis”, ficando ainda relegado à cena paralela.
Referências Bibliográficas:
vol. 50 no.1 São Paulo Jan./June 2007,
POst. Aline Ferraz