Arquivo para a Teatro Oficina de UziNa ZoNa categoria

À EXCELENTÍSSIMA PRESIDENTA DA REPÚBLICA DO BRASIL DILMA ROUSSEFF

Postado em Politica pública para a Cultura, Teatro Oficina de UziNa ZoNa em 23 de março de 2012 por sagradocacete
Carta aberta a Presidenta e aop cadidato do PT São Paulo

Carta a Presidenta e ao Cadidato do São Paulo do PT

 

À EXCELENTÍSSIMA PRESIDENTA DA REPÚBLICA DO BRASIL DILMA ROUSSEFF A LUÍS INÁCIO DA SILVA AO CANDITADO À PREFEITURA DE SÃO PAULO FERNANDO HADDAD A TODOS CARTA ABERTA IÁ! COM TODO AMOR PODE SE ORGULHAR PRESIDENTA NA VÉSPERA DESTE 1º DIA DE OUTONO DO ANO BISSEXTO INTELECTUAIS AQUI EM SÃO PAULO PROCRIARAM UM DOCUMENTO PODEROSO RE-CRIANDO SAGRADAMENTE O PODER POLÍTICO DA ENERGIA CULTURAL – Abaixo deste o documento referido criado pelos intelectuais em São Paulo – O MAIOR TABÚ INTOCADO: A CULTURA Q POR ESTA RAZÃO ESTÁ REDUZINDO O CRESCIMENTO DO BRASIL A MENOS Q 3% FOI QUEBRADO E AGORA TOCADA VIRA TÓTEM NUM DOCUMENTO SEM CHAVÕES ENFIM SURGE UM TEXTO DO VALOR DO BRASIL E DOS BICHOS HUMANOS BRASILEIROS DA ERA DOS BRICS DOCUMENTO SOLAR FORTE NOVO RENASCENTISTA EXPLODINDO A PRESENÇA DA ATUAL DITADURA DO PENSAMENTO ÚNICO NO BRASIL SÓ DISCORDO DESTE TEXTO NO FAZER DE BODE ANA DE HOLANDA NÃO ESTOU TRATANDO DE SUA DEPOSIÇÃO DO CARGO NEM MUITO MENOS DA BRILHANTE GESTÃO DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF MAS SIM DO FATO DE Q OS PARTIDOS DE ESQUERDA CENTRO E DIREITA PRESSIONAM OS POLÍTICOS, ELEITOS PELOS Q QUEREM FAZER O BRASIL CRESCER NA ECONOMIA VERDE E GOZOZA, COM UMA IDÉIA ÚNICA LITERALMENTE ABORTANDO SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O PAÍS POLÍTICOS COM VOCAÇÃO PÚBLICA PODEM AGORA, A PARTIR DO “MANIFESTO DOS INTELECTUAIS PAULISTAS” SE DAR AO PRAZER DE GOZAR ESTA MUDANÇA DE ERA UMA MUDANÇA DE POSIÇÃO TRANSCENDER A PERSONAGEM ÚNICA MARCANTE POR EXEMPLO PRESIDENTA DE MÃE DO PAC PASSAR A SER “AMANTE DO PAC” E DO CULTIVO DA VIDA PELA CULTURA DA LIBERDADE POTENCIALIZADA OUVIR A PARTIR DE SEU PRÓPRIO CORPO DE MULHER LINDA AS PALAVRAS DESTE POEMA POLÍTICO: Q INTELECTUAIS SEM VERGONHA DE SER, JUNTARAM-SE NA ERA DA INTELIGÊNCIA E PRODUZIRAM A RETOMADA DA REVOLUÇÃO CULTURAL Q HOJE RENASCE E CANTA NO MUNDO TODO A PERDA DE HEGEMONIA DO CAPITALISMO DO SOCIALISMO E TODOS OS ISMOS DOS FUNDAMENTALISTAS GANANCIOSOS DO PODER TEMPORAL DA MÁQUINA BUROCRÁTICA ECONÔMICA POLÍTICA E CULTURAL DO ESTADO AUMENTOU SUA GANÂNCIA, SUA FOBIA PORQUE SABEM Q ESTÃO SENDO ENGOLIDOS PELOS FINOS BISCOITOS Q A MASSA PRODUZ E QUER COMER DILMA ! LULA ! (SEU GOVERNO ESTAVA DE ACORDO) FERNANDO ! AMANTES DA VIDA LIVRE FORA DO REBANHO, COMO É IMPORTANTE ESTARMOS ACORDES PARA O ÓBVIO! ACORDES ! SEM A CULTURA ESTAR POTENCIALIZADA COMO ESTRATÉGIA DO ESTADO BRASILEIRO NÃO HÁ MAIS DEMOCRACIA NÃO HÁ MAIS PODER LIBERDADE DE DÁDIVA DE CRIAÇÃO NOS HUMANOS HÁ SOMENTE O PODER VAZIO DA MÁQUINA DOS Q IMPÕEM SER DONOS DE UMA VERDADE DEVASTADORA ATRAVÉS DE PRESSÃO POLÍTICA DE EXTREMA DIREITA CAÍMOS NO FUNDAMENTALISMO DO PARTIDO ÚNICO SÓ UMA CULTURA VIVA BIO-DIVERSA Q NÃO TEM NADA A VER COM A DE CONSUMO TEM O PODER DE TORNAR DEMOCRÁTICOS O ESTADO MAFIOSO E A VIDA DOS BRASILEIROS A CULTURA NA DOÇURA EXPLODE… MAIS Q ISSO… ESPATIFA A DITADURA DESTA IDADE MYDIA DA TECNOCRACIA DAS FOBIAS DA SUBMISSÃO AO ÚNICO Q TEM UM PROGRAMA: O PFC – PARTIDO FUNDAMENTALISTA CRISTÃO Q JÁ AMEAÇA EXPULSAR A CULTURA DA DISCUSSÃO POLÍTICA TOMANDO SEU LUGAR OUTRA VEZ NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS COMO ACONTECEU NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS FERNANDO HADDAD VOCÊ É MEU AMADO CANDIDATO MAS NÃO POSSO VOTAR EM QUEM COMEÇA SUA CAMPANHA DIZENDO: “SOU CONTRA O ABORTO” NINGUEM É A FAVOR MAS É UMA QUESTÃO FUNDAMENTAL DA DEFESA DA VIDA DAS MULHERES A ONU JÁ SABE DISSO SUA CANDITADURA PODE EMPLACAR SENDO A LUZ DA REVOLUÇÃO CULTURAL Q É DESEJO PLANETÁRIO É HORA DE TER CANDIDATOS ÀS PREFEITURAS DAS CIDADES DO BRASIL Q NÃO SE SUBMETAM À ESTA DITADURA DITADA PELO MARKETING CAINDO DE PODRE E NOS APODRECENDO A TODOS JUNTOS A ECONOMIA VERDE É SOCIAL, POLÍTICA, É PELO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DO BÁRBARO TECNIZADO É RENASCENTISTA É PLUGADA NA MAGIA DA NET (SAGRADA COMUNICAÇÃO LIVRE) DA REVOLUÇÃO DA NEUROCIÊNCIA DA MEDICINA MOLECULAR DAS CÉLULAS TRONCO E SOBRETUDO DOS POVOS BIODIVERSOS EM TODA TERRA SAGRANDO DESEJOSOS A PALAVRA “REVOLUÇÃO” ESTA PALAVRA: “REVOLUÇÃO” DEPOIS DO “AI SE EU TE PEGO” É MANTRA AGORA DE NOVO SACRALIZADA POR TODOS OS POVOS TESUDOS DE LIBERDADE BEM MAIS PRECIOSO Q COMMODITIES PRA PODER CRIAR O DESENVOLVIMENTO E PROCRIAR EM SINTONIA COM A REVOLUÇÃO CÓSMICA PERMANENTEMENTE VIVA NA TRANSMUTAÇÃO CONSTANTE DA TERRA E EXPANSÃO DO UNIVERSO O MANIFESTO DOS INTELETUAIS DISSOLVE EM SI TODAS AS CRISES POLÍTICAS E RELIGIOSAS POR QUE PEDE LIBERDADE AO PODER DA CULTURA DE CUIDAR DA VIDA DO OUTRO DE SI DO COSMOS E CRESCER AMOR BIODIVERSIDADE JÁ NOS ESTILHAÇOS DA IDADE MYDIA RECOMEÇA A ESTAR DENTRO DA VIDA DE TODAS ESPÉCIES DOS ASTROS DO AR E ATÉ A POLÍTICA PODE PROCLAMAR SUA INDEPENDÊNCIA DA SERVIDÃO DAS MÁFIAS DA PRESSÃO DA “REVOLUÇÃO” DA “VERDADE ÚNICA” Q SÓ QUER JOGAR NO CARGO O PAPEL DE FANTOCHE DE UM ESTADO FUNDAMENTALISTA REATIVO À VIDA ESTÁ NA HORA DE TOCAR NOS TABUS Q SÃO POLÍTICOS A QUESTÃO DO ABORTO QUER SE ACHE VERDADE OU NÃO É DE SAÚDE PÚBLICA DO CORPO VIVO A QUESTÃO DA LIBERTAÇÃO DA REPRESSÃO ASSASSINA CRIMINALIZADORA DAS DROGAS É TAMBEM UMA QUESTÃO POLÍTICA DE SAÚDE PUBLICA A DEMOCRACIA SEM CULTURA LIVRE POTENTE PRECISA DE OUTRO MOVIMENTO Q SEJA COMO O MDB NO FIM DA DITADURA Q DISCORDE DO PENSAMENTO DO PFC EVANGÉLICO CATÓLICO ALINHADO COM O NANICO PARTIDO PRÓ DITADURA DEFENDIDA PELOS MILITARES TORTURADORES APOSENTADOS ZÉ CELSO 20 DE MARÇO DO ANO BISSEXTO DE DOIL MIL E DÓSE NOVAS CATEGORIAS POLÍTICAS: HUMOR ! AMOR ! VERTIGEM NA LIBERDADE !!! A CULTURA É INFRAESTRUTURA MACRO MICRO DA VIDA

EVOÉ! Retrato de um Antropófago

Postado em Antonin Artaud, História do Brasil, Teatro Oficina de UziNa ZoNa em 24 de novembro de 2011 por sagradocacete

Antropofágico do Milenio Faz fuder o Mundo dos Morto asfixiados por ingenuidades

EVOÉ! Retrato de um Antropófago

Um filme que articula de forma labiríntica depoimentos recentes e imagens históricas da carreira do diretor, ator e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, do Teatro Oficina. O documentário adquiriu o seu verbo principal em quatro viagens a pontos-chave da trajetória de Zé Celso: Sertão da Bahia; Praia de Cururipe, em Alagoas; Epidaurus e Atenas, na Grécia; e em sua casa, em São Paulo. Um olhar particular e multifacetado de uma das maiores personalidades das artes do Brasil de todos os tempos.

Ficha Técnica

Tadeu Jungle e Elaine Cesar, São Paulo, 104 min, 2011

 José Celso Martinez Corrêa
Diretor, autor e ator. Inquieto e irreverente, José Celso Martinez Corrêa − ou simplesmente Zé Celso − é líder do Teatro Oficina, uma das companhias mais conectadas com o seu tempo. Encenou espetáculos considerados antológicos, comoO Rei da Vela, de Oswald de Andrade − montagem que se tornou um emblema do tropicalismo, em 1967. Nos anos 1970, vivenciou todas as experiências da contracultura, transformando-se em líder de uma comunidade teatral e das montagens de suas criações coletivas. Ressurgiu nos anos 1990, numa nova organização da companhia, propondo uma interação constante entre vida e teatro. Algumas das mais importantes encenações desse período − Ham-let, de Shakespeare (1993), As Bacantes, de Eurípedes (1996), eCacilda! (autoria do diretor, 1998) −, propõem a desestruturação e reescritura dos textos originais, em prol da incorporação de material autobiográfico dos integrantes ou do próprio Oficina, num movimento autofágico de ir e voltar às próprias origens. Em 2002, deu início à realização de sonho antigo: a montagem na íntegra da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, pelo Teatro Oficina.

Tadeu Jungle

Formado em comunicação social pela ECA/USP, Tadeu é um artista multimeios que transita entre a videoarte, a poesia visual, a fotografia, a TV e o cinema. Apresentou e dirigiu programas de TV, entre eles o emblemático Fábrica do Som. É sócio da produtora de cinema paulista Academia de Filmes e da Margarida Filmes, em que dirige filmes, programas de TV, documentários e publicidade. Em 2001, dirigiu quatro DVDs de peças do Teatro Oficina e lançou seu primeiro longa-metragem de ficção, Amanhã Nunca Mais.

Elaine Cesar

Formada em comunicação pela Faap, Elaine é diretora de cinema, vídeo, documentários, clipes e digital art. No Teatro Oficina dirigiu projetos de captação das peças para DVD, além de assinar o projeto videográfico da peça Os Bandidos e a direção-geral do vídeo da turnê Dionisíacas-2010. Em publicidade, esteve na direção de mais de 200 filmes contratada por produtoras como Academia de Filmes, 5.6 e Conspiração Filmes. Foi curadora e responsável pelo projeto da exposição sobre o diretor José Celso Martinez Corrêa dentro do espaço Ocupação do Itaú Cultural. Assina ainda a direção de vários documentários independentes como o que está produzindo atualmente sobre alienação parental.

ICONOCLÁSSICOS

 

 

 

Filme: EVOÉ! Retrato de um Antropófago

São Paulo

Espaço Unibanco de Cinema – Augusta
Sessão: 18h
Sala: 03
Rua Augusta, 1.475 e 1.470 – Consolação – São Paulo – SP, 01305-100 (exibir mapa)

Unibanco Arteplex Frei Caneca
Sessão: 22h
Sala: 04
Rua Frei Caneca, 569 – Consolação – São Paulo – SP, 01307-001 (exibir mapa)

Espaço Unibanco de Cinema – Pompéia
Sessão: 18h
Sala: 10
Rua Turiassu, 2.100 – Barra Funda – São Paulo – SP, 05005-000 (exibir mapa)

 

Rio de Janeiro

Unibanco Arteplex – Botafogo
Sessão: 18h
Sala: 05
Praia de Botafogo, 316 – Botafogo – Rio de Janeiro – RJ, 22250-040 (exibir mapa)

Porto Alegre

Unibanco Arteplex – Country
Sessão: 22h
Sala: 08
Av. Túlio de Rose, 80 – Passo da Areia – Porto Alegre – RS, 91340-110 (exibir mapa)

Salvador

Espaço Unibanco de Cinema – Glauber Rocha
Sessão: 19h
Sala: 04
Praça Castro Alves – Centro – Salvador – BA, 40020-160 (exibir mapa)

Ministra confirma o tombamento do Teatro Oficina

Postado em Historia do Teatro Brasileiro, Teatro Oficina de UziNa ZoNa em 19 de julho de 2011 por sagradocacete
Tombamento teatro Oficina

Teatro OFICINA - SP

Foi publicada ontem, no “Diário Oficial da União”, a homologação do tombamento do Teatro Oficina.

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, ratificou a decisão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) de junho de 2010.

O Oficina abriga em seu prédio no Bexiga, no centro de São Paulo, o grupo teatral dirigido por

José Celso Martinez Corrêa desde 1958.

Os tombamentos pela cidade e pelo estado de São Paulo aconteceram no início da década de 80, antes da construção do projeto de Lina Bardi, inaugurado em 1994, e já previam em seus laudos a transformação do espaço de acordo com as necessidades artísticas do grupo e seu não congelamento. O tombamento em nível federal traz no parecer final de Jurema Machado, o pedido para que os três níveis de governo se unam em benefício da transformação do espaço envoltório, largos terrenos desertificados pertencentes ao Grupo Silvio Santos, no complexo artístico e cultural que o Oficina projeta para a revivescência do Bexiga há mais de trinta anos.

Agora a Cia. trabalha para que a ministra da cultura Anna de Holanda encontre-se com os secretários de cultura do município, Andrea Matarazzo e do estado, Carlos Augusto Calil, a fim de que seja dada diretriz para efetuar a “Troca dos Terrenos”: terrenos pertencentes à União ou ao município trocados por esses pertencentes ao grupo Silvio Santos para a construção do Anhangabaú da Feliz Cidade.

Teatro Oficina: ministra homologa tombamento

Prédio fundado em 1958 abriga companhia teatral Oficina
Tombamento do Teatro Oficina é homologado / Reprodução/Diário Oficial da União Tombamento do Teatro Oficina é homologado Reprodução/Diário Oficial da União

Foi publicada a homologação do tombamento do Teatro Oficina no “Diário Oficial da União” de segunda-feira, dia 18.

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, ratificou a decisão do conselho do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), tomada em 24 de junho de 2010.

O prédio situado no bairro do Bexiga, em São Paulo, abriga o grupo teatral dirigido por José Celso Martinez Corrêa desde 1958.

 

Zé Celso espera “ressucitar” Bixiga com ‘Dionisíacas’ em SP

Postado em Teatro Oficina de UziNa ZoNa em 15 de dezembro de 2010 por sagradocacete

Zé Celso diz não acreditar que o teatro seja uma coisa intocada e estimula em seus espetáculos a interação com o público. Foto: DivulgaçãoZé Celso diz não acreditar que o teatro seja “uma coisa intocada” e estimula em seus espetáculos a interação com o público
Foto: Divulgação

Bruna Carolina Carvalho

“O teatro é para todos. Eu não acredito em teatro que não seja para todos: velhos, moças, pretos, brancos, pobres, ricos, burgueses, marginais”. Essa frase, proferida pelo diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, em entrevista ao Terra representa bem a empreitada mais recente do Teatro Oficina Uzyna Uzona. As Dionisíacas, conjunto de peças apresentadas gratuitamente para um público de 1500 a 2000 pessoas em espaços chamados de “Teatro de Extádio” – o “x” proposital é para combinar com êxtase – chega agora a São Paulo.

Taniko, O Rito do Mar; Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!; Bacantes e O Banquete foram encenadas desde maio em sete cidades brasileiras: Brasília, Salvador, Recife, Belém, Manaus, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Para o diretor do espetáculo, realizar este projeto em São Paulo, especialmente no espaço do estacionamento ao lado da sede do Teatro Oficina, cedido por Silvio Santos, é muito importante. O Teatro Oficina saiu vitorioso de uma batalha judicial que já dura 30 anos contra o proprietário do SBT. Agora, o espaço será tomabado como Patrimônio Histórico pelo IPHAN. Os atuantes nesta luta recomendam ainda a compra ou desapropriação do terreno no entorno deste teatro para colocar em prática o projeto Anhangabaú da Feliz Cidade, que engloba uma série de obras culturais.

Apesar da luta jurídica, Zé Celso contou que passou a ter um respeito muito grande por Silvio Santos. Tamanha é essa consideração que a temporada paulistana é dedicada ao apresentador dominical. O diretor falou também sobre a receptividade do público, o funcionamento desta “arte pública” e sobre o que representa cada um dos espetáculos.

Confira a entrevista na íntegra:

Terra – Quais foram as principais mudanças que estas apresentações sofreram para se adaptarem a um público maior?
Zé Celso – São radicais. O fato de o Ministério da Cultura ter nos propiciado fazer sete capitais em teatro de estádio, em lugares populares, nos permitiu nestas formas dionisíacas, que são de graça inclusive, e também nas oficinas que fizemos com os artistas nessas cidades a praticar o teatro estádio, a praticar o teatro das multidões, como o futebol mesmo. Nós somos em 90 artistas, dentre as várias áreas, como produção de vídeo, música e etc. Então, nós pudemos estudar com eles a prática do teatro de estádio. E quando vinham os espetáculos, que era feito com o povo, e vinha a cidade inteira, de todas as classes sociais, o que acontecia era uma coisa absolutamente maravilhosa. Aí chega aqui e tem essa surpresa. O Silvio Santos topa nos emprestar esse espaço (onde será realizada a apresentação) que a gente lutou durante 30 anos. Nos ensaios aqui em São Paulo foi a glória, porque nós conseguimos acolher tudo o que nós sonhamos. Todas as peças, todas que pareceram para nós mesmos abstratas, sonhos, delírio, agora está tudo realizado. Há uma mudança radical inclusive no ritmo. Tudo tem uma velocidade, uma transparência, uma clareza, que nós estamos assim bestas. Foram os melhores ensaios que eu já fiz na minha vida. Eu tenho 52 anos de oficina e tudo foi para a preparação para este momento, para a história desse momento para o dia 17 (de dezembro) aqui no estacionamento do “Anhangabaú da Feliz Cidade”. Então, não são pequenas modificações. Quem vai ver essas peças, nunca viu essas peças. Nem nós. Elas brotaram, elas foram plantadas. Agora nós temos toda essa pujança. E nós conseguimos tudo pelo teatro, não foi de outra forma.

Terra – Qual a expectativa quanto à reação do público?
Zé Celso – Eu espero que aqui em São Paulo seja uma loucura, inclusive porque estamos divulgando muito. Ontem mesmo fizeram a lavagem da calçada. Teve um carro pipa e depois fizemos uma lavagem com água de cheiro que nem no Bonfim da Bahia. Estamos em um momento de fazer ressucitar o Bixiga, através dessa dádiva que o Silvio Santos nos fez. Inclusive ontem mandei um e-mail para ele. Ele é nosso convidado de honra, demos de presente isso pra ele.

Terra – Isso representa o fim desta batalha de 30 anos que o Teatro Oficina e Silvio Santos travaram na Justiça?
Zé Celso – Claro que representa. Nós não quisemos esperar todo o processo jurídico e burocrático que é a compra e desapropriação do espaço. Quando ele assumiu todas as dívidas, quando ele teve essa atitude grandiosa, eu achei que era a hora de falar com ele de novo. E eu falei, e ele topou. E ele foi de uma doçura, de um carinho, e ele nos emprestou e nós fechamos o contrato por um mês de empréstimo. Depois nós vamos devolver. Mas ao mesmo tempo está caminhando a luta jurídica. Este ano ainda, o (ministro da Cultura) Juca Ferreira deve comprar ou desapropriar o espaço para começarmos a realizar o projeto.

Terra – Como tem funcionado o processo de recriação dessas apresentações?
Zé Celso – Nós reensaiamos as peças. Inclusive um dos atores que trabalha conosco atua como se fosse o público. Porque o nosso sonho é o de fazer um teatro que o público realmente atue. Como na Grécia, com os coros. Porque nós estamos fazendo grandes espetáculos, que são espetáculos rituais. Não tem nada a ver com Cirque du Soleil. Porque não são espetáculos. São rituais de transmutação, onde nós trocamos experiências através do teatro, através da dança, da música, através até dos versos dos grandes textos. As pessoas vêm e depois que saem do espetáculo, elas falam que é uma mudança radical. São rituais diante disso.

Terra – Vocês têm chamado isso de festas públicas…
Zé Celso – É uma arte pública. É como na Grécia, né? O teatro não é essa coisa intocada só para uma classe ou para os estudantes. O teatro é para todos. Eu não acredito em teatro que não seja para todos: velhos, moças, pretos, brancos, pobres, ricos, burgueses, marginais. Teatro é arte de atingir o coração da condição humana. E eu acho que a gente está conseguindo isso. Eu acho que agora estamos plantando o teatro de estádio. Começamos a revolução cultural. Continua a revolução cultural no teatro. Isso já veio em 1967 em Rei da Vela e em 1968 em Roda Viva. Tudo isso a gente vem buscando nesses anos todos. Finalmente conseguimos.

Terra – Gostaria que você falasse um pouco das adaptações feitas para se adequar à cultura de cada local que passaram
Zé Celso – As arquitetas cênicas do espetáculo, em cada cidade, construíram os teatros em locais diferentes, mas sempre em local popular. E em cada cidade, usamos o material da cultura dos artistas que trabalhamos com. Tivemos inclusive na Bahia aquela coisa da orgia chocolate. No Recife tivemos uma coisa, uma ligação muito grande com o bairro, foi uma coisa espantosa. Até o chefe do tráfico ficou pelado. Em Brasília, estivemos na praça dos Três Poderes, perto da rodoviária, tendo como cenário o Congresso. Aquelas duas cunhas uma virada pra cima e outra para baixo. Foi uma coisa linda. Em São Paulo é lindo. Depois é outra coisa, uma coisa que você vê na rua. Não é uma coisa que fica em um shopping ou em um lugarzinho pequenininho. É uma coisa escancarada, que todo mundo vê. Eu acho que é uma revolução do teatro mundial. Porque não é só o grande espetáculo. É o grande espetáculo acompanhado da canção. Então você tem os coros, as músicas e tudo mais.

Terra – A quem é dedicada essa apresentação?
Zé Celso – É dedicado aqui a todos que viveram essa luta. Inclusive ao nosso antagonista Silvio Santos. E agora, especialmente a Elaine Cesar, que é a nossa diretora de vídeo, que foi profundamente injustiçada por um ex-marido ciumento que tirou a guarda do filho que eles tinham, alegando que o nosso teatro é amoral. Na semana passada, a Justiça prendeu todos os nossos HDs que estavam na casa dela (para averiguação do conteúdo do material). Tirou da mãe o filho e o instrumento de trabalho. Vamos ter que refazer muita coisa que nós tinhamos (nesses HDs). E foi pela vara da Família, que é uma vara super reacionária. Elaine está doente. Ela está na UTI. E ela é uma mulher maravilhosa. É como no caso da iraniana que querem matar a pedrada, como no caso dos WikiLeaks, como o cara que ganhou o Prêmio Nobel da Paz na China. Ela é uma heroína das mães do teatro, que levam os filhos ao teatro. Como a Bibi Ferreira, a Marília Pêra. Nós estamos preocupadíssimos, porque ela está na UTI, e ela está grávida. Dói meu coração. Mas é sempre assim. Sempre quando tem um acontecimento grandioso, tem alguma coisa puxando pra baixo. Nós estamos lutando por isso, a luta continua.

Terra – Agora, mais especificamente das apresentações, você pode falar um pouco sobre cada uma delas?
Zé CelsoTaniko chama crianças de todas as idades, a peça é livre totalmente. As outras são para 16 anos em diante. Essa primeira é sobre o Nô, é bossa nova Trans Zen Iko. Conta a história dos japoneses que vieram do Japão pra cá há 102 anos, mas é inspirado no Nô japonês. É a ressureição da criança. Já Cacilda!! é interpretada magistralmente por Ana Guilhermina dos 20 aos 28 anos de idade. Inclusive a gente quer que o povo leve muitas flores, porque a gente quer fazer o defloramento da Cacilda. Bacantes é o núcleo de tudo e é nosso maior sucesso . Marcelo Drummond é Dionísio, na peça que ele faz há 25 anos. Dionísio foi responsável por tudo o que aconteceu. E no dia seguinte é a festa de Dionísio, O Banquete. Eram as festas gregas que se faziam. É como o Banquete de Platão, mas nós invertemos porque amor platônico é corpo e alma, não só alma. Não é amor platônico no sentido que os monges da Idade Média passaram para o mundo. Nós fizemos um musical maravilhoso, rimado e tal, e é enfeitado com uma mesa enorme, um colchão de lado. Maravilhoso.

Terra – Por que estas peças? Elas estão relacionadas com o momento atual?
Zé Celso – Total. Total. É um momento ligado ao Brasil, a esse crescimento. Ao Brasil dos Brics. Um momento relacionado a essa luta mundial, pela liberdade dos direitos humanos, liberdade de informação, ligada aos WikiLeaks, é ligado a tudo isso. Nós estamos sintonizados com o tempo, mas sintonizados mesmo. Nós estamos em uma sintonia absoluta. Eu devo muito a Silvio Santos, porque ao longo desses trinta anos eu fui obrigado a tomar conhecimento de tudo para conseguir essa vitória. Eu tive como um adversário um homem de mídia. E eu quero atingir o grande público mesmo. Eu quero que o teatro seja uma arte como o futebol, um esporte como o futebol, que apaixona milhões. É sintonizado com tudo. Você vai ver que o mundo de hoje está presente, porque teatro é isso. Porque teatro é uma arte de reencarnação do passado arcaico no presente. E são os valores dionisíacos que retornam. Muito importantes nesse momento de ameaça de fundamentalismo evangélico ou católico que ameaça o Brasil, como foi ameaçado nessas eleições. Dionísio é o grande antídoto de toda essa porcaria.

Terra – Sabemos que a duração das peças varia. Taniko tem uma hora e meia, mas Cacilda!! chega a ter seis horas. Isso funciona para um público tão grande? Não se torna cansativo?
Zé Celso – Claro que funciona. Nós fomos sucesso no Brasil inteiro. O tempo é outro. Essa coisa de teatro chapado de 90 minutos, isso é o tempo da coorporação teatral, da coorporação cinematográfica, do mundo como ele é. Mas o mundo não está mais como ele é. O império americano está caindo. O paternalismo está desmoronando. E o tempo do teatro é outro. É o tempo da arte. É como o tempo do apaixonado. Quando você está apaixonado você não está olhando o relógio. Você está entregue à paixão.

Terra – Qual o significado para vocês em fecharem o ano com uma apresentação deste porte, depois de 30 anos de batalha judicial?
Zé Celso – É uma vitória. É uma vitória que eu espero que o ministro da cultura desaproprie ou compre (o espaço) para nós iniciarmos as obras. Agora eu queria até que Silvio Santos participasse da construção delas. Passei a ter um respeito muito grande por ele, por essa atitude dele. Inclusive no próprio nome: Anhangabaú da Feliz Cidade, que se refere ao Baú da Felicidade. O projeto é deslumbrante. Nós queremos fazer do Bixiga o centro popular e cosmopolita de São Paulo.

As Dionisíacas
Local – Teatro Extádio, no estacionamento ao lado do Teatro Oficina, localizado na Rua Jaceguay, 520, Bixiga
Taniko, O Rito do Mar – 17 de dezembro, às 20h (Duração: 1h40, sem intervalo)
Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!! – 18 de dezembro às 18h (Duração: 6h, com dois intervalos)
Bacantes – 19 de dezembro às 18 h (Duração: 6h, com dois intervalos)
O Banquete – 20 de dezembro às 19h (duração 3h45, sem intervalo)
Entrada gratuita. Retirar o ingresso uma hora antes de cada apresentação na bilheteria do Teatro Oficina Uzyna Uzona. A produção pede a doação de 1kg de alimento não perecível ou um brinquedo.

Redação Terra

Anistia para Zé Celso!! HojE e Já!!

Postado em Historia do Teatro Brasileiro, Teatro Oficina de UziNa ZoNa em 8 de abril de 2010 por sagradocacete

Renascimento:
Preso, torturado e exilado, o diretor Zé Celso precisou de 15 anos para retomar em plenitude a sua criação. Foto: JF Diorio/AE
No dia 22 de maio de 1974 o encenador, ator e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa foi abordado por homens armados que o encapuzaram, colocaram-no dentro de um carro e o levaram. Era mais uma prisão realizada durante o regime militar que tivera início com um golpe dez anos antes. Zé Celso foi levado para o Departamento de Ordem Política e Social, na região da Luz, onde passaria quase um mês. No Dops foi torturado. Passou pelo pau de arara e levou choques e golpes que lhe arrancaram alguns dentes. Depois foi jogado em uma solitária.
Mais de três décadas depois, Zé Celso receberá autoridades do governo brasileiro ao som do Hino Nacional executado em ritmo de bossa nova em seu Teatro Oficina numa solenidade de celebração da democracia. Vestido num terno, ele será hoje, a partir das 14 h, o anfitrião da 35.ª Caravana da Anistia. Criada em 2001, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça tem como função analisar os requerimentos de pessoas que foram vítimas de perseguição política entre 1946 e 1988 (lei 10.559/2002). Desde abril de 2008, foi criada a Caravana da Anistia que aprecia processos em atos públicos, numa ação cultural de resgate de memória.

Veja também:

Vídeo de Zé Celso falando de direitos humanos
A caravana já percorreu 17 Estados e apreciou publicamente mais de 800 processos. O educador Paulo Freire e o líder dos seringueiros Chico Mendes estão entre os já homenageados. Em ato inédito desde sua criação, a 35.ª Caravana da Anistia, que contará com a presença do ministro da Cultura Juca Ferreira, fará a apreciação apenas do processo do diretor Zé Celso, no Oficina, no seu 35.º ato público.

Será também teatral e terá início às 14 h, no Oficina, seguido de apresentação gratuita do espetáculo O Banquete. Dezenas de artistas foram convidados.
Zé Celso enviou requerimento de pedido de “indenização por prejuízos causados pela ditadura militar” no dia 8 de dezembro de 2004 à Comissão da Anistia, documento ao qual o Estado teve acesso (leia trecho ao lado), e será lido na íntegra pelo relator Prudente Mello hoje no palco do Oficina, mais especificamente no cenário de O Banquete, uma imensa mesa retangular que toma toda a pista do teatro. Nesse documento, Zé Celso relata sua prisão e a de companheiros de teatro, a tortura, os obstáculos à continuidade do Oficina impostos no período por meio de censura aos textos ou interdições às encenações, o exílio de cinco anos, o incêndio destruidor no teatro. Relata com detalhes a difícil passagem dos tempos de resistência obscura, período em que ganhou a alcunha de decano do ócio, aos novos tempos de “re-Existência”, a partir dos anos 90, quando efetivamente conseguiu retomar sua arte em plenitude, na criação de espetáculos como Bacantes, Cacilda! e Os Sertões.

“A tortura tatua o corpo. Quem passou pela tortura vai combatê-la sempre”, diz Zé Celso em vídeo que pode ser visto na TV Estadão, no qual fala sobre Direitos Humanos, tortura, liberdade, arte e política.
PALAVRAS DO ZÉ NO SEU APELO A AUTORIDADES
“Por muitos anos tentei recalcar para poder sobreviver e viver de novo os danos causados pela ditadura no meu corpo, na minha alma, no meu trabalho profissional e no de minha criação o que vale também para o corpo físico do Teatro Oficina. Posso afirmar que a ditadura operou sobre mim e o Oficina o que Glauber Rocha chamava de assassinato cultural. Eu e o teatro fomos assassinados socialmente.

Muitos achavam mesmo que eu tinha morrido, me apontavam como vítima que a ditadura tinha eliminado, consideravam que eu e o teatro não teríamos mais uma segunda vida. Foram 15 anos de uma luta enorme para provar a mim mesmo que eu estava vivo de novo. Não falava quase em tortura ou em repressão, somente através de atos teatrais. Reaberto o teatro, foram mais de dez anos de muito sucesso para provar que nós tínhamos ressuscitado.”
SERVIÇO:

Solenidade da 35ª Caravana da Anistia seguida de O Banquete.

Post. André

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 60 other followers