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Festa Literária Internacional de Paraty Oswald de Andrade (1890-1954) será o grande homenageado da 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty

Postado em Oswald de Andrade (1890-1954) em 8 de julho de 2011 por sagradocacete

Oswald de Andrade (1890-1954) será o grande homenageado da 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Considerado o mais inovador dentre os escritores do modernismo, Oswald foi protagonista da Semana de 22 e abriu caminhos para grandes nomes como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e os poetas concretos. Além de ter sido um precursor da Tropicália e da “poesia marginal” dos anos 70, Oswald escreveu Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), Pau Brasil (1925) e Manifesto Antropófago (1928) e introduziu a prosa experimental no país, com Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). No ensaio ‘Estouro e Libertação’, de Brigada Ligeira (1945), o crítico Antonio Candido diz que Oswald de Andrade “é um problema literário” e completa: “Imagino, pelas que passa nos contemporâneos, as rasteiras que passará nos críticos do futuro”. “De lá para cá, a obra de Oswald só cresceu em importância, mas também aumentaram as rasteiras que têm passado nos críticos e leitores do presente – com seu teatro orgiástico (decisivo para a dramaturgia brasileira a partir dos anos 60), com o afresco revolucionário do país que ele fez em Marco Zero, com a antropologia de sua tese sobre messianismo e utopia (A crise da filosofia messiânica)”, comenta Manuel da Costa Pinto, curador da Flip. A homenagem pretende falar também do Oswald da Semana de 22, da Antropofagia e do nativismo Pau-Brasil, mas indo além – mostrando como existe ainda um Oswald a ser explorado, pronto para nos pregar novas peças. “Ainda há muito a explorar sobre este pensador de uma miscigenação sem nostalgia da identidade (bem à frente, portanto, do atual discurso multicultural), o crítico da civilização técnica e, sobretudo, o criador de uma poética que restaura o arcaico para se libertar do passado”, acrescenta Costa Pinto, que faz mais comentários sobre a escolha do homenageado no Blog da Flip. A trajetória do escritor, poeta e ensaísta e o alcance expressivo de sua obra na formação da literatura brasileira são questões que devem garantir a pluralidade do debate nos eventos da Flip dedicados a Oswald de Andrade.

Argumento/”A Moratória”, de Jorge Andrade.

Postado em Jorge Andrade, Temas de Casa!!! em 4 de agosto de 2009 por sagradocacete

Aluísio Jorge de Andrade Franco nasceu em Barretos, São Paulo, em 21 de maio de 1922. Na infância presenciou a perda da fazenda de café de seu avô, devido à crise de 1929. A política econômica norte americana nos anos 20 era baseada no ideal do livre mercado, ou seja, cada empresário tinha liberdade de tomar as decisões que achasse mais produtiva para seus negócios. As consequências dessa corrida foram a superprodução de mercadorias e os baixos salários pagos aos funcionários e até mesmo um grande número demissões. Da combinação desses fatores resultou a falência de muitas empresas e a consequente quebra da Bolsa de Valores de Nova York e de outras em todo o mundo. Havia produtos em excesso e poucas pessoas com poder aquisitivo suficiente para comprá-los. O Brasil (principalmente os produtores de café) também sofreu com a crise, já que o produto era a principal fonte de exportação da economia brasileira e os Estados Unidos o principal parceiro nesse negócio. Outro fator que foi decisivo na derrocada da oligarquia cafeeira foi a Revolução de 30, que pôs fim à política de café com leite, na qual se alternavam os presidentes eleitos do Brasil entre os políticos de Minas Gerais e São Paulo. Com a posse de Getúlio Vargas, os agricultores paulistas passaram a ter menos apoio do governo federal, ou seja, a agricultura cafeeira foi perdendo sua importância à medida que a indústria foi ganhando espaço na economia do país. Os temas referentes à formação da sociedade paulista seriam recorrentes nas peças de Jorge Andrade, como é o caso de “A Moratória”, que se passa exatamente no contexto citado, entre os anos de 1929 e 1932.

A peça se divide em três atos e o palco em dois planos, um que se refere ao passado, no ano de 1929 e outro que se refere ao presente, no ano de 1932. No passado, uma grande sala de uma rica fazenda de café no interior de São Paulo, no presente, uma sala simples de uma humilde casa em alguma pequena cidade nos arredores da fazenda, onde há em primeiro plano uma máquina de costura. As personagens aparecem hora em um plano, hora em outro, nos mostrando os acontecimentos em ambas as épocas.

A história contada é a da família de Joaquim, um fazendeiro de café que é muito apegado aos valores da tradicional sociedade oligárquica paulista. Sua fazenda foi à falência devido à má administração dos negócios e também por causa da má colheita daquele ano. Sua mulher, Helena, acompanha o marido durante essas mudanças, se mostra equilibrada, mas também sofre muito com a situação. O casal tem dois filhos: Lucília, que passa a costurar para ajudar no sustento da família, e Marcelo, que não consegue ficar em nenhum emprego. O filho não suporta a situação, bebe constantemente e parece ser o que mais está a par da realidade. Diferente do pai, ele não tem mais esperanças na recuperação da fazenda e sabe que a sociedade em que vivem não é mais a mesma de outrora e que os valores agora são outros. Também faz parte da família Elvira, irmã de Joaquim, que está em melhor situação financeira. Um fato de passado, entretanto, faz com que a relação dos dois não seja tranquila: Joaquim herdou de seu pai a melhor parte da fazenda. Elvira parece nunca ter aceitado essa situação e demonstra isso quando não concorda em arrendar a fazenda do irmão deixando que ela fosse à praça. Ela também envia uma pequena ajuda diária à família de Joaquim, de leite e café, o que é irônico, já que Joaquim era antes um rico fazendeiro de café.

Outra personagem importante da peça é Olímpio, advogado e filho do maior inimigo político de Joaquim e que é apaixonado por Lucília. No passado Joaquim não permitiu o casamento dos dois e hoje, é Olímpio que o ajuda no processo que envolve a fazenda. Aos poucos percebemos a decadência também psicológica das personagens, que mesmo com a difícil situação em que se encontravam, alimentavam um resquício de esperança: Lucília tem cada vez mais trabalho para sustentar a casa, Marcelo se afunda a cada dia e não consegue suportar a situação, discutindo com o pai e o acusando de ser o culpado pela falência da família, Helena preocupa-se cada vez mais com o marido. Joaquim por sua vez não acredita mais na recuperação da fazenda, mostrando-se agora quase que passivo à situação. Joaquim não consegue o prazo maior para pagar as dívidas e perde suas terras.

Jorge Andrade narra através de sua obra a formação da sociedade paulista e brasileira de forma clara e real. Nos transporta até momentos históricos decisivos e através de suas personagens conseguimos compreender o que tais transformações significaram para as pessoas que as presenciaram, desde o âmbito mais cotidiano até o mais amplo, para toda a sociedade. A decadência da sociedade patriarcal em “A Moratória” e narrada com sutiliza, simplicidade e um conhecimento impressionante. É autor também de “Vereda da Salvação”, “Pedreira das Almas”, “Os Ossos do Barão”, “Senhora na Boca do Lixo”, “Rastro Atrás”, “As confrarias”, “O Sumidouro”, “Milagre na Cela”, entre outras obras. Jorge Andrade morreu no dia13 de março de 1984 em São Paulo.

Argumento da aluna Anelise Vargas.

Trabalho Disciplina Interpretação (A) Paulo F – A Moratória Jorge de Andrade Leitura para TODA TURMA

Postado em Jorge Andrade em 19 de julho de 2009 por sagradocacete

A Moratória1

A Moratória2A Moratória3 pOST:  André de Jesus

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